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 Descobrir parceiros para jogar com Woods é uma tarefa delicada
18 de março de 2010 16h17 atualizado às 16h21

Tiger Woods voltará aos torneios no Masters, em abril. Foto: Getty Images

Tiger Woods voltará aos torneios no Masters, em abril
Foto: Getty Images

Quando Tiger Woods retornar aos torneios de golfe profissional, no Masters do mês que vem, quais serão os dois jogadores selecionados para jogar com ele no dia de abertura -haverá quem os defina como "atrações secundárias"- naquele deve ser o mais observado evento de golfe de todos os tempos?

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Não existe um sistema ou procedimento estabelecido para determinar quem acompanhará Woods na rodada de abertura do torneio, que será disputado no Augusta National Golf Club, a partir de 8 de abril. A escalação dos jogadores do torneio não será anunciada antes da terça-feira da semana do Masters, ou dois dias antes da primeira rodada da competição.

Na quarta-feira, representantes do Augusta Nacional não quiseram dizer como procederiam para selecionar os companheiros de Woods, e se limitaram a comentar que a escolha caberia ao comitê de competição do clube.

Os dirigentes da instituição sempre se esforçam por propiciar o máximo conforto aos participantes, e evitam escrupulosamente quaisquer gestos que pareçam tentativas de atrair atenção.

Assim, não devemos esperar escolhas como, por exemplo, a inclusão de Phil Mickelson no grupo de Woods. Ao mesmo tempo, seria justo submeter os jogadores menos experientes ou menos acostumados à atenção da mídia a uma situação que deve lhes causar distrações sem paralelo?

A abordagem do Masters para formar os grupos de golfistas que jogam lado a lado não difere muito da adotada em outros grandes torneios. Sempre houve certa dose de aleatoriedade e flexibilidade no processo. A Associação de Golfe dos Estados Unidos, por exemplo, escolhe com cuidado os grupos do Aberto dos Estados Unidos, mas ocasionalmente faz seleções que podem parecer resultado de caprichos -no ano passado, um dos grupos incluía três jogadores que estudaram na Universidade Estadual do Ohio e outro tinha três ex-alunos da Universidade Clemson.

Ou, em muitos casos, a intenção parece ser a de incluir em um mesmo grupo ao menos dois jogadores fortes, o que atrai o interesse dos torcedores presentes ao torneio e interessa os telespectadores que estão acompanhando pela televisão.

Na quarta-feira, Mike Davis, diretor sênior de regras e competições da Associação, definiu a formação dos grupos para o Aberto dos Estados Unidos como "um exercício subjetivo".

No Augusta National, é possível, se não provável, que o clube possa solicitar discretamente voluntários para o grupo de Woods. Outro fator, embora seja difícil imaginar que Woods venha a solicitar a companhia de jogadores específicos, seria que a equipe do golfista procurasse outros integrantes da PGA Tour, cujo relacionamento com Woods sempre tenha sido amistoso, para determinar se, na prática, eles não gostariam de ser voluntários no grupo dele.

Existem diversos jogadores que poderiam ser considerados para o grupo, nessa situação, ou que ao menos são vistos como veteranos com experiência suficiente para suportar a confusão que deve cercar Woods sem que isso afete demais o seu desempenho. Steve Stricker, que no momento ocupa o segundo lugar no ranking mundial do golfe, pode ser um dos integrantes dessa categoria. Stricker e Woods jogaram como dupla na Presidents Cup do ano passado.

Outro golfista que talvez se dispusesse a se unir a Woods em um grupo é Mark O¿Meara, que participará do torneio porque foi campeão do Masters em edição passada. No entanto, O¿Meara declarou em entrevista na semana passada que não tinha conversado com Woods recentemente. Sean O¿Hair é outro dos bons jogadores que sempre se deu bem com Woods, e alega estar trocando mensagens de texto com ele regularmente. Outros golfistas que pareciam confortáveis em grupos que incluíam Woods, em passados torneios, são Zach Johnson, Jim Furyk, Stewart Cink e Fred Couples. Todos eles já foram campeões de torneios de primeiro nível.

Os grupos de três golfistas estabelecidos para a primeira rodada continuarão jogando juntos durante a segunda rodada, que se inicia na sexta-feira. Ao final dessa rodada, os golfistas com os piores placares serão excluídos e os remanescentes, formarão novos grupos de acordo com seus placares; os líderes do torneio são os últimos a entrar na pista. Nas primeiras duas rodadas, a tradição do Masters dispõe que os amadores admitidos ao torneio formem grupos nos quais esteja incluído ao menos um antigo campeão do torneio.

Há 17 vencedores de edições anteriores do Masters participando do torneio deste ano, bem como seis golfistas amadores que se qualificaram para ele ao vencer diversos campeonatos nacionais de categorias amadoras. Um desses amadores pode terminar incluído no grupo de Woods, quatro vezes campeão do Masters.

Brad Benjamin, 22, golfista de Rockford, Illinois, é o atual campeão norte-americano da categoria pistas públicas de golfe, e com isso conquistou um convite para o Masters de 2010. Na quarta-feira, ele estava disputando uma partida de treinamento no Augusta National. Será que ele estaria disposto a jogar no grupo de Woods?

"Esse poderia ser o melhor cenário", disse Benjamin, em entrevista por telefone pouco depois do final da sua partida de treinamento. Benjamin reconheceu que o melhor jogador de tênis do mundo dificilmente seria parte de um grupo que inclua um campeão amador.

"Mas se por acaso acontecesse", afirmou, "eu adoraria".

Tradução de Paulo Migliacci

The New York Times
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