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 Em 3D, torneio de golfe ganha dimensão adicional
01 de abril de 2010 19h33 atualizado às 19h53

Golfe é um esporte propício para transmissões em 3D. Foto: Getty Images

Golfe é um esporte propício para transmissões em 3D
Foto: Getty Images

Richard Sandomir

Se as imagens de teste registradas recentemente no Augusta National Golf Club servem como referência autêntica, o torneio Masters de golfe parecerá maravilhoso em versão 3D. Apenas uns poucos milhares de pioneiros dessa nova tecnologia televisiva serão capazes de assistir ao torneio dessa maneira e podem com certeza se considerar afortunados. Basta assistir a uma tacada na pista do Augusta National em 3D para que os televisores de alta definição pareçam ter se tornado instantaneamente obsoletos.

O Augusta National oferece o laboratório ideal para uma transmissão de golfe em três dimensões. A pista é maravilhosa. Apresenta numerosas ondulações. A elevação muda constantemente.

De perto, azaleias, abrunheiros e pinheiros parecem prontas a decolar para além da tela. Até mesmo as suaves canções ao piano que servem de tema à transmissão do Masters provavelmente terão som melhor se transmitidas em 3D.

A televisão de alta definição passou a oferecer aos telespectadores uma vista mais ampla e clara, e todos os esportes se beneficiaram desse recurso. Mas o sistema 3D acrescenta detalhes mais nítidos e o contraste que falta às transmissões bidimensionais, que comparativamente ficam com certa cara de desenho animado.

"O sistema fala por si mesmo", disse Mark Hess, vice-presidente sênior da Comcast, operadora de TV a cabo, em uma demonstração da transmissão em 3D realizada na quarta-feira no estúdio SNY, em Manhattan, com imagens obtidas na pista do Augusta National. A Comcast, uma das proprietárias do SNY, está distribuindo as imagens em 3D que o torneio vem produzindo para os seus clientes dotados de televisores ou computadores com recurso de tela 3D. Os clientes das operadoras rivais de cabo, Time Warner, Cox e Cablevision, também terão acesso ao novo conteúdo.

Um porta-voz da Time Warner anunciou que a companhia tornaria as imagens 3D do Masters disponíveis para os seus clientes como um produto pré-gravado para compra a pedido, mas estava planejando uma transmissão ao vivo como demonstração em algum lugar público, possivelmente uma loja da cadeia de varejo de eletrônicos Best Buy, durante a primeira ou segunda rodada do torneio.

O Masters 3D será transmitido ao vivo para todo os Estados Unidos das 16h às 18h, horário da costa leste, na primeira e segunda rodadas, e das 17h às 19h na terceira rodada e na final. Boa parte das imagens será gravada com câmeras estacionadas do 10° ao 18° buraco da pista.

O golfe talvez seja o esporte perfeito para uma transmissão em 3D. Afinal, é um jogo lento e só um jogador está em ação de cada vez. As câmeras não precisam se movimentar rapidamente e podem acompanhar cada tacada de mais perto do que seria o caso em, por exemplo, uma partida de futebol americano ou beisebol. E, caso sejam posicionadas de maneira inteligente, as câmeras instaladas para a transmissão no Augusta National evitarão a presença de telespectadores em seu campo de visão e tampouco precisarão contemplar o campo do outro lado de uma barreira de vidro, como aconteceu em uma recente transmissão 3D de uma partida de hóquei entre o New York Rangers e o New York Islanders, realizada pela MSG Network. O rinque de gelo no Madison Square Garden não se tornava mais bonito ou nítido se visto em 3D. Liso é liso. Mas o relevo bem esculpido da pista de golfe do Masters em Atlanta oferecerá vida nova em termos visuais.

O melhor das imagens de demonstração do Masters 3D incluía tacadas de arremate que pareciam ter sido realizadas para dentro da câmera, uma bola aprisionada em uma armadilha de areia que se afastava explosivamente do solo, deixando grãos de areia individuais flutuando no ar diante do rosto do golfista, e bandeiras amarelas se agitando lentamente na brisa, em primeiro plano, enquanto ao fundo a água de um riacho corria suavemente. Outro destaque eram as imagens panorâmicas lentas dos buracos mais interessantes do ponto de vista topográfico, para mostrar as mudanças de elevação.

Quanto mais próximas da ação as câmeras estavam, melhor a imagem. Talvez seja esperar demais que uma câmera 3D se aproxime o suficiente da tacada para que o taco pareça estar a ponto de atravessar a tela.

Mas há alguns defeitos. O reflexo do sol sobre a água causa distorção grave na imagem. Se a câmera se move com muita rapidez ao passar por uma árvore ou arbusto, o efeito é visualmente incômodo. Quando uma câmera fez uma panorâmica rápida da grama da pista, a imagem causou tontura.

"Estamos ainda descobrindo aquilo que funciona e não funciona", disse Mark Francisco, um pesquisador da Comcast que está trabalhando no desenvolvimento das transmissões 3D.

Tradução de Paulo Migliacci

The New York Times
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