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 Caso Bruno: Justiça de MG nega habeas-corpus a Macarrão
30 de julho de 2010 18h46 atualizado às 18h51

Luiz Henrique Romão, o Macarrão, permanecerá preso. Foto: Paulo Assis/Futura Press

Luiz Henrique Romão, o Macarrão, permanecerá preso
Foto: Paulo Assis/Futura Press

Ney Rubens
Direto de Belo Horizonte

O desembargador Julio Cezar Gutierrez negou, nesta sexta-feira, o habeas-corpus pedido pelo advogado Ercio Quaresma para Luiz Henrique Romão, o Macarrão. Ele está preso em Contagem (MG) e foi indiciado no inquérito entregue hoje ao Ministério Público sobre o desaparecimento e morte de Eliza Samudio, 25 anos, ex-amante do goleiro Bruno de Souza.

A polícia indiciou o atleta, Macarrão e mais sete adultos por seis crimes, que incluem sequestro, homicídio, ocultação de cadáver e formação de quadrilha. O Ministério Público tem até o dia 6 de agosto para apresentar denúncia ou pedir mais diligências. Para a polícia, o crime foi comprovado por provas técnicas e testemunhais que configuram a materialidade indireta. As buscas pelo corpo de Eliza continuam, conforme disse o delegado Edson Moreira.

Até o momento, 18 habeas foram impetrados a favor de Bruno, alguns feitos por cidadãos comuns. A Justiça negou 14 pedidos e outros quatro aguardam julgamento. Na quarta-feira, o Tribunal de Justiça de Minas negou os pedidos para liberação de Flávio Caetano de Araújo, o Flavinho, Elenílson Vitor da Silva, caseiro do sítio do jogador, e Wemerson Marques de Souza, o Coxinha, presos pelo mesmo motivo. Na sexta-feira, o desembargador Doorgal Andrada, também da 4ª Câmara Criminal, negou o pedido de habeas-corpus feito por Quaresma para Dayanne Souza, mulher do goleiro.

Adolescente
O juiz Elias Charbil, da Vara da Infância e da Juventude de Contagem, afirmou que irá se pronunciar a respeito do processo contra o adolescente J na próxima segunda-feira. O promotor de Justiça Leonardo Barreto Moreira Alves pediu, no dia 23 de julho, que o jovem de 17 anos, seja internado, como medida socioeducativa pela suposta participação dele no sequestro e na morte de Eliza Samudio. As considerações finais do Ministério Público foram entregues ao Juizado da Infância e da Juventude de Contagem.

O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno responderá como mandante e executor do crime. Além dos oito que estão presos, a investigação apontou a participação da atual amante do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, aguarda decisão do Juizado de Menores e pode pegar até três anos de internação.

Especial para Terra