Equipe de 1983 representou o auge da Democracia Corintiana
Foto: Gazeta Press
- Diego Garcia
"Meu principal momento com a camisa do Corinthians foi a Democracia", assim resumiu sua passagem pelo time alvinegro o ídolo Wladimir, jogador que mais atuou com o manto corintiano (806 jogos) nos primeiros 100 anos do clube.
A Democracia Corintiana foi um movimento que partiu de dentro do grupo de jogadores do clube paulista nos anos 80. Liderado por Sócrates, Casagrande e pelo próprio Wladimir, a ação ajudava a conscientizar a população sobre a redemocratização do País e ainda auxiliava os atletas em questões internas do grupo.
Com ela, o Corinthians conquistou o bicampeonato paulista com um de seus melhores times na história, em 1982/1983.
"Nessa época, tivemos a felicidade de reunir um grupo bastante consciente de seus deveres e direitos, sabíamos da importância da nossa participação na redemocratização do País, que vivia um momento difícil em sua história", destacou o ex-lateral.
O que era a Democracia Corintiana:
Para alguns, uma bagunça. Para outros, a chave do sucesso. Nascida no coração do Parque São Jorge no início dos anos 80, a nomeada Democracia Corintiana despontou paixões, peitando o jeito arcaico dos clubes brasileiros tratarem seus jogadores e abolindo a concentração.
Nos gramados, o movimento resultou em uma combinação de um futebol mágico e dinâmico, que alegrou o mais pessimista torcedor alvinegro e trouxe ao Corinthians o bicampeonato de 1982. Fora dos campos, uma contribuição à democracia política brasileira.
"O Brasil vivia um centralismo de poder enorme que era ruim para a nação, então conseguimos dar uma contribuição nesse sentido, sabíamos da ressonância que o movimento ia ter na medida em que as pessoas entendessem o que a gente estava querendo. Então foi gratificante participarmos efetivamente da redemocratização do País", definiu Wladimir.
"A Democracia Corintiana foi um movimento que ajudou a libertar o País da ditadura", completou o ex-lateral.
Dentro dos estádios, aquele começo dos anos 80 foi de um êxtase intenso à torcida corintiana. Ao longo dos dois anos vitoriosos, goleadas inesquecíveis, como um 5 a 1 sobre o Palmeiras, ou triunfos sobre o Santos (1 a 0) e o São Paulo (2 a 0). O rival tricolor, aliás, acabou freguês dos áureos tempos de Democracia, com o bivice nos dois anos.
Os títulos de 1982 e 1983 - Era de Ouro da Democracia
Com o gênio Sócrates no meio de campo comendo a bola, um polivalente Biro-Biro correndo por meio time, o talentoso Zenon na meia, o jovem Casagrande fazendo chover gols (foram 28 ao longo da campanha de 82) e o experiente Wladimir, o Corinthians conquistou o título de 1982 com um pé nas costas, vencendo o São Paulo duas vezes na decisão.
No ano seguinte, Solito deu lugar ao renomado goleiro Leão, que apareceu como o primeiro opositor do movimento democrático corintiano. Como principal peça contrária à Democracia, o camisa 1 contribuiu para o fim do movimento, que não sobreviveu às forças reacionárias de dentro do próprio elenco.
Mesmo assim, 1983 veio um novo título, novamente com Sócrates dando show. Ainda dizem até os dias de hoje que, se não fosse o enfraquecimento da Democracia Corintiana, a equipe alvinegra teria conquistado o tri em 1984, mas acabou sucumbindo na decisão contra o Santos e dando adeus ao sonho do quarto tricampeonato de sua história.
"Ganhei o Paulista de 1977 e consegui dar alegria à nação corintiana, aos 35 milhões de torcedores desse time que é uma nação. Mas nada foi como a Democracia... foi meu principal momento com essa camisa", completou Wladimir, eterno ídolo do time alvinegro.
Campanha de 1982
Jogos: 40
Vitórias: 25
Empates: 9
Derrotas: 6
Gols: 75 marcados - 33 sofridos
Artilheiros: Casagrande, 28 gols; Sócrates, 18 gols; Zenon, 9 gols; Wladimir, Biro-Biro e Ataliba, 6 gols; Magu e Daniel González, 1 gol.
Time-base: Solito; Alfinete (Zé Maria), Mauro, Daniel González e Wladimir; Paulinho, Sócrates e Zenon; Ataliba, Casagrande e Biro-Biro. Técnico: Mário Travaglini
Campanha de 1983
Jogos: 48
Vitórias: 24
Empates: 17
Derrotas: 7
Gols: 75 marcados - 33 sofridos
Artilheiros: Sócrates, 21 gols; Casagrande, 15 gols; Biro-Biro, 9 gols; Ataliba, 7 gols; Zenon, 4 gols; Jota Maria e Luis Fernando, 3 gols; Wladimir, 2 gols; Ronaldo, Wagner, Mauro e Paulo Egídio, 1 gol.
Time-base: Leão; Alfinete, Mauro, Juninho e Wladimir; Paulinho, Sócrates e Zenon; Eduardo (Ataliba), Casagrande e Biro-Biro. Técnico: Jorge Vieira
O Paulista de 1979 - Golpe de mestre de Vicente Matheus
O Palmeiras era a melhor equipe do Campeonato Paulista de 1979. Era, até o presidente corintiano Vicente Matheus parar a competição. De olho na forte equipe alviverde, o mandatário resolveu dar um golpe de mestre e resolveu mandar o Corinthians não entrar em campo contra a Ponte, durante o Terceiro Turno.
Tudo porque o jogo seria realizado em uma rodada dupla com o confronto Palmeiras e Guarani, e Matheus não queria dividir a renda por alegar que a torcida corintiana era a maior de todas. Com isso, uma confusão começou na justiça desportiva e o time alvinegro acabou perdendo de WO.
No entanto, pelas constantes apelações judiciárias e trâmites jurídicos envolvendo o caso, o Campeonato Paulista só teria seu título decidido no ano seguinte, no início de 1980. Isso fez com que o embalo palmeirense fosse cortado aos poucos.
Quando a bola voltou a rolar, o Corinthians despachou o favorito clube alviverde com um gol de canela de Biro-Biro e foi decidir contra a Ponte Preta. Com dois triunfos e um empate, foi só correr para o abraço.
Campanha de 1979
Jogos: 47
Vitórias: 21
Empates: 20
Derrotas: 6
Gols: 58 marcados - 30 sofridos
Artilheiros: Sócrates e Geraldão, 10 gols cada; Píter e Palhinha, 9 gols cada; Vaguinho, 5 gols; Basílio e Wilsinho, 4 gols cada; Romeu e Wladimir, 2 gols cada; Biro-Biro, Zenon e Caçapava, 1 gol cada.
Time-base: Jairo; Luis Cláudio (Zé Maria), Mauro, Amaral e Wladimir; Caçapava, Biro-Biro (Basílio) e Palhinha; Píter (Vaguinho), Sócrates (Geraldão) e Romeu (Wilsinho). Técnico: Jorge Vieira.
Campeonato Paulista de 1988 - Título com carrinho e Viola
O time alvinegro passava por seis anos de jejum no Estado. No Paulista de 1988, o técnico Jair Pereira não tinha recursos financeiros para buscar grandes contratações e decidiu investir na base. Surgiram o goleiro Ronaldo, o zagueiro Marcelo, o volante Márcio Bittencourt e os atacantes Marcos Roberto e Viola.
Na segunda fase do torneio, a jovem equipe corintiana caiu no "grupo da morte", com São Paulo, Palmeiras e Santos. O novo time alvinegro mostrou fibra e acabou a etapa invicto, com quatro empates (contra o clube tricolor e o alviverde) e duas vitórias (contra o rival santista da chave, por 3 a 2 e por 2 a 0).
Na final, enfrentaria o Guarani, sensação do interior paulista. No primeiro duelo, empate por 1 a 1 no Morumbi. No jogo de volta, novo empate, desta vez sem gols, levou a decisão do campeão para a prorrogação. Foi quando surgiu a estrela do menino Viola, que fez um tento de carrinho e deu o título ao Corinthians em mais um Centenário (gnahou em 1922, no da Independência, e em 1954, no IV da Cidade de São Paulo), desta vez da Abolição dos Escravos.
Campanha de 1988
Jogos: 28
Vitórias: 13
Empates: 11
Derrotas: 4
Gols: 43 marcados - 23 sofridos
Artilheiros: Edmar, 14 gols
Time-base: Carlos; Édson, Marcelo, Denílson e Dida; Biro-Biro, João Paulo e Márcio; Éverton, Wilson Mano e Paulinho Carioca. Outros: Ronaldo, Aílton, Viola, Paulinho Gaúcho. Técnico: Jair Pereira
- Especial para Terra



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