Neymar causa revolta, provoca, dribla e decide contra Avaí
Foto: Agência Lance
- Dassler Marques
- Direto de Santos
Parece haver um imã entre Neymar e Marcos, lateral do Avaí. A bola está com a equipe catarinense, na ponta esquerda do ataque, e a 50 metros dali os dois jogadores se puxam e empurram como se o jogador santista fosse ser acionado no segundo seguinte. Essa é a tônica de Neymar e seus dois marcadores, por 90 minutos, no duelo entre santistas e avaianos na quinta-feira.
Ainda que Antônio Lopes reclame das marcações de Carlos Eugênio Simon em lances do atacante, os números mostram que Neymar foi protagonista e líder em dados importantes do jogo. Sofreu nove faltas de jogadores do Avaí. As 10 tentativas de drible mostram que ele não se intimidou. Além disso, os impressionantes 2min18s de posse de bola confirmam que o garoto santista também não "pipocou" diante da marcação dura.
Aos 36min do primeiro tempo, Marcos, aquele que parecia ter um imã com Neymar, deixou o campo. Já tinha cartão amarelo e não parava de se pegar com o santista. Entrou então Emerson Nunes, zagueiro para jogar de lateral direito no combate pessoal a Neymar. Ao fim dos 90 minutos, seria mais um a sair do gramado com amarelo por falta cometida no mesmo jogador.
Os atritos dentro de campo não se limitaram à bola rolando. Neymar acusou os marcadores de ser ameaçado e caçado. Eles responderam dizendo a Antônio Lopes, seu treinador, que o santista fez ofensas pesadas. "Sou milionário, você ganha quanto?", teria questionado o garoto, abusado e politicamente incorreto, que hoje vale mais de R$ 100 milhões.
Entre as obsessões que teve em campo, Neymar tentou dar dois chapéus em Marcinho Guerreiro, ex-Santos. Na primeira, com bola rolando, recebeu e emendou buscando encobrir o rival no chamado toque de carretilha. Depois, com a bola parada, o que aumentou ainda mais o ódio dos catarinenses. Dorival Júnior, o treinador, defendeu.
"É a reação instintiva de qualquer um de nós, até porque ele apanhou muito. Além de apanhar, está sendo ameaçado. Esse menino é valente, vai para a briga e sabe jogar. A marcação pode continuar forte como vem sendo, não as ameaças. No futebol não pode. Mesmo assim, ele continua indo para dentro, para cima, e esse é o jeito dele jogar".
Mais que provocador, Neymar se mostrou decisivo. Não teve Ganso, Robinho, André e Wesley por perto, mas marcou o gol que abriu caminho para a vitória a 52 segundos. Com um só toque na bola, meteu com precisão entre as mãos de Renan e a trave direita. No segundo tempo, é a jogada que começa com ele, passa por Durval e chega para Marcel fazer o segundo.
Neste ano, ninguém no futebol brasileiro tem tantos gols quanto Neymar, que já marcou 31 vezes, errou quatro pênaltis e ainda serviu os companheiros em 14 gols. Estreou pela Seleção Brasileira de Mano Menezes com gol contra os Estados Unidos (vitória por 2 a 0), o que deve ser lembrado.
Por tudo isso, quando o Santos ataca na direção do portão principal da Vila Belmiro, uma cena já se torna cada vez mais comum se a bola chega à ponta esquerda. O camisa 11 domina e parte para cima, o marcador se arrepia e todos os torcedores das cativas e numeradas se levantam.
É Neymar quem está a caminho do gol.
- Terra


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