Armstrong em sua última prova, na Austrália
Foto: Getty Images
Dois dias depois de Ronaldo anunciar sua retirada dos gramados, o esporte perdeu outro de seus maiores ícones. O ciclista americano Lance Armstrong - sete vezes seguidas campeão da Volta da França (maior prova ciclística do mundo), de 1999 a 2005, anunciou nesta terça-feira sua aposentadoria, aos 39 anos.
O anúncio acontece quase um mês após o ciclista ter disputado seu último evento competitivo, na Austrália. "Nunca diga nunca", disse, aos risos Armstrong, ao ser perguntado, em entrevista concedida por telefone à Associeted Press, se sua decisão é definitiva; para, segundos depois, complementar: "estava apenas brincando".
Um dos motivos que leva à aposentadoria de Armstrong é o amadurecimento do ciclista, que deseja passar mais tempo com sua família. Mesmo assim, Armstrong afirma que sentirá falta das competições. Cansado e molestado pelas limitações impostas a seu corpo pelo tempo, Armstrong, contudo, diz que não sentirá falta nenhuma das horas diárias de treinamento com que convive desde o começo da carreira.
Sua aposentadoria chega após uma fracassada tentativa de retorno ao ciclismo, em 2009, cujo objetivo era a reconquista da Volta da França, vencida nos últimos dois anos pelo espanhol Alberto Contador.
"Não posso dizer que tenha algum arrependimento. Eu realmente achei que iria vencer", disse o ciclista, sobre seu retorno, quatro anos depois de se aposentar pela primeira vez. "Eu alinhei como todos os outros e terminei em terceiro lugar".
História de superação
Além de ter se consagrado com o maior e ciclista de sua geração e um dos maiores atletas de todos os tempos, Armstrong ficou célebre por sua história de superação. O americano, antes de vencer a primeira de suas sete Voltas da França, teve diagnosticado um câncer nos testículos.
A doença deixou o ciclista muito perto da morte. Desacreditado, Armstrong chegou a ter, segundo médicos à época, um por cento de chances de sobrevivência. Mesmo assim, ele não apenas sobreviveu como se tornou o maior nome de seu esporte em todos os tempos.
Mais que isso, Armstrong atingiu níveis de fama similares aos maiores nomes do esporte, como Tiger Woods e Michael Jordan. Assim como Woods, o ciclista foi um dos raros casos de atleta que se tornaram maiores que seus próprios esportes. A fama crescente foi utilizada para o atleta em prol de causas positivas.
O combate ao câncer voltou a ser a luta de Armstrong, que lançou as pulseiras amarelas, item que virou febre no mundo todo e cujo faturamento das vendas foi revertido a Livestrong Foundation, entidade criada pelo ciclista para o combate ao câncer.
Até o final de 2010, a fundação já tinha levantado um total de US$ 400 milhões. Isso sem contar o lobby do ciclista junto ao governo do Texas, que culminou na liberação de US$ 3 bilhões para pesquisas sobre o câncer em um período de 10 anos. "Sabia que podia ajudar, mas não tinha ideia que estaríamos em momento tão bom", declarou Armstrong, nesta terça.
Polêmicas com o Doping
As conquistas no esporte, a superação e engajamento de Armstrong não evitaram, porém, que o ciclista fosse uma figura controversa. O atleta foi acusado por seu ex-companheiro de equipe Floyd landis de fazer uso de drogas e ensinar outros atletas a burlar o exame antidoping.
"Eu não posso controlar o que acontece nas investigações. É por isso que eu contrato gente para me ajudar com isso. Eu tento fazer com que isso não me incomode e continuo levando minha vida", declarou Armstrong. "Eu sei o que eu faço e eu sei o que eu fiz. Isso não vai mudar".
Sobre seus desafetos e as polêmicas envolvendo seu nome, Armstrong se defende acusando a estrutura do esporte que o consagrou. "Muito já se foi dito e analisado sobre mim. Isso faz parte do ciclismo. É como o ciclismo funciona", explicou Armstrong. "Existe muita briga, ciúme e mesquinharia no esporte então todo mundo tenta encontrar defeitos em uma pessoa ou em um desempenho espetacular".
- Terra


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