Na prova, que acontecerá entre os dias 30 de julho e 10 de agosto, os competidores não poderão ultrapassar os 150 km/h. A intenção é evitar acidentes como o que aconteceu em 2004 com o paulista Ingo Hoffman. O maior vencedor da história da Stock Car brasileira ficou pendurado em uma ponte após perder o controle de seu carro.
A preocupação com a segurança também aumentou após a polêmica surgida com as mortes no Rali Dakar, no início deste ano.
A competição, considerada a mais perigosa do mundo, teve cinco mortes - o espanhol José Manuel Perez e o italiano Fabrizio Meoni (pilotos de motos), dois motoristas da equipe de apoio e uma menina senegalesa de cinco anos -, o que gerou até um movimento para que a disputa fosse proibida.
Nos Sertões, apenas um piloto morreu nas 12 edições anteriores. O piloto Paulo Roberto Salles foi a única vítima fatal em 2000, após bater em um caminhão, em Unaí (MG), durante um trecho de deslocamento.
Outras cinco mortes aconteceram, mas todas fora da competição. Em 2001, um jornalista da TVE-RJ morreu afogado após cair em um rio.
Para fiscalizar se a velocidade estabelecida pela organização foi cumprida, serão instalados em carros, motos, caminhões e quadriciclos aparelhos de GPS, que monitoram a velocidade e a localização dos competidores via satélite. Ao final de cada dia, a organização irá recolher os dados.
"Um dos principais atrativos do cross country é testar a habilidade do piloto, não a velocidade final alcançada", explica Marcos Ermírio de Moraes, presidente da Dunas Race, empresa responsável pela organização do Rali dos Sertões.
No entanto, o piloto Guilherme Spinelli, bicampeão dos Sertões, discorda da opinião dos organizadores. Para o piloto da Mitsubishi, há outros fatores que precisam ser melhorados na segurança em vez de apenas reduzir a velocidade.
"O maior problema é controlar os carros de passeio que cruzam as especiais. Esse é o aspecto mais perigoso nesse tipo de rali, mas é difícil controlar devido aos trechos da prova, de aproximadamente 250 a 300 km, serem muito longos", destacou.
Para os próximos anos, os organizadores estudam limitar também a potência das motos, categoria mais perigosa do rali. A intenção é que os veículos não ultrapassem as 450 cilindradas.
Novidades
O reforço na segurança com a limitação da velocidade é apenas uma das novidades para a prova deste ano do Rali dos Sertões. Pela primeira vez, a competição largará e terminará em Goiânia. Nos anos anteriores, a chegada sempre era realizada em uma praia do Nordeste brasileiro.
O percurso e o número de Estados pelos quais os competidores passarão, no entanto, ainda não foram definidos. A rota só será divulgada pouco tempo antes da largada para evitar problemas com as estradas, como a queda de pontes.
Além disso, pela primeira vez, a categoria motos do Rali dos Sertões fará parte do calendário do Mundial da categoria.
A competição envolve cerca de 1,5 mil pessoas, entre organizadores, pilotos, equipes de apoio e jornalistas. Estima-se que o investimento necessário para a realização do rali chegue aos R$ 30 milhões. Entre os veículos utilizados no apoio estão quatro helicópteros, dois deles com UTI para socorrer vítimas de acidentes.
Em 2004, 213 competidores disputaram os Sertões, um número mais de seis vezes maior que os 34 que disputaram a primeira edição da prova, em 1992.
- Redação Terra

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