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 Darío Pereyra acha que o São Paulo só vai à Libertadores com "sorte"
08 de novembro de 2011 08h25

Darío Pereyra compareceu a um programa de televisão com a participação de dirigentes e jogadores do elenco do São Paulo, na semana passada. Boa parte dos torcedores presentes deixou de prestigiar o meia Lucas, ídolo atual, para assediar o uruguaio em meio àquela gravação. Enquanto organizava uma fila de fãs, ávidos por fotografias e autógrafos, o ex-atleta também revelou à GE.Net o seu saudosismo como tricolor.

Nesta entrevista, Darío Pereyra se mostrou incomodado com o mau momento do São Paulo no Campeonato Brasileiro. O uruguaio que defendeu o clube do Morumbi em 451 jogos, entre 1977 e 1988, acredita que a equipe comandada por Emerson Leão só conseguirá se classificar à Copa Libertadores da América de 2012 se contar com a "sorte". Por isso, orientou o presidente Juvenal Juvêncio a apressar o planejamento para a próxima temporada: com as contratações de um zagueiro e um meia (que não deve ser Rivaldo) experientes, um Luis Fabiano mais confiável fisicamente e, quem sabe, a chegada de um novo ídolo uruguaio.Gazeta Esportiva.Net: Qual é o problema do São Paulo?
Darío Pereyra: O São Paulo ficou acostumado a ganhar Campeonatos Brasileiros. Foram três seguidos. Houve uma caída. Mesmo que o time vença alguns jogos até o final do ano, será muito difícil alcançar a briga pelo título ou até uma vaga na Libertadores. A diretoria deve esquecer este ano e começar a projetar o próximo, com melhores escolhas e contratações. Sem fazer loucuras. Vários times conseguem boas campanhas à base de trabalho sério.

GE.Net: Você duvida, então, que o São Paulo se classifique para a Copa Libertadores da América?
Darío Pereyra: Ah, o São Paulo até tem condições. Mas vai precisar contar com a sorte, não é?

GE.Net: Só irá se classificar com sorte?
Darío Pereyra: Sorte é importante. Às vezes, você joga bem e não vence, a bola não entra, surge um gol inesperado do adversário... Mas também não dá para desistir da Libertadores. Sempre há esperança. Classificando-se, o São Paulo já poderia pensar em formar um time capacitado ao título continental, assim como o Leão fez na primeira passagem dele pelo São Paulo.

GE.Net: A contratação do Leão te agradou?
Darío Pereyra: O Leão é um técnico que trabalha sério, duro, fazendo boas campanhas. Ele já demonstrou isso no próprio São Paulo. Vamos esperar os resultados.GE.Net: Ele fez bem em aceitar um contrato com curto tempo de validade?
Darío Pereyra: É um desafio. O Leão terá tempo suficiente para conhecer o plantel e impor um estilo de trabalho até o final do ano. Não há demérito nenhum nisso, até porque ele aceitou o convite. Se o profissional tem confiança no que faz, não importa o tempo de contrato. É lógico que muitos técnicos preferem um período mais longo, mas o Leão é uma pessoa confiante. Foi bom para os dois lados. Perfeito.

GE.Net: Você disse que o São Paulo precisa já projetar o seu elenco para 2012. Como o Leão participa desse processo, com a incerteza em relação ao seu futuro?
Darío Pereyra: A responsabilidade também é do Leão. Até eu posso dar alguns palpites, na condição de quem está analisando de fora risos . O São Paulo precisa de um zagueiro com perfil de Seleção Brasileira, para ajudar o Rogério como líder da defesa. Também falta um meia criativo, um verdadeiro camisa 10, que cadencie o jogo e saiba como abrir uma defesa ou segurar um resultado. Falta alguém com o estilo de um Danilo, de um Douglas...

GE.Net: De um Rivaldo, não?
Darío Pereyra: Dele também, mas o Rivaldo da época áurea risos . Todo mundo vê que o Rivaldo entra bem no time do São Paulo, mas não sei se aguenta jogar 20 minutos, 35, 45 ou uma partida inteira. Não estou no clube para acompanhar o dia a dia. Talvez o Rivaldo ainda possa ser útil. A diretoria precisa avaliar se vale a pena renovar o contrato dele, mas já ouvi que não vai ficar.

GE.Net: É uma informação sua?
Darío Pereyra: Não sei se o Rivaldo fica. O que posso dizer é que estou ouvindo muitas coisas sobre não renovarem o contrato dele. Talvez seja por causa da idade avançada. Mas ele não deixa de ser um excelente jogador, que tem entrado bem na equipe.GE.Net: Você citou as carências na defesa e no meio-campo do São Paulo. O clube também precisará contratar alguém para o ataque, ainda mais porque perderá o Dagoberto?
Darío Pereyra: O Dagoberto está de saída, mas o Lucas e o Fernandinho podem fazer essa função. O São Paulo realmente tem pedido vários jogadores importantes: Hernanes, mais recentemente Miranda, Alex Silva... A defesa é totalmente nova, com jogadores jovens, sem tanta experiência. Já no ataque, a gente também vê garotos como Lucas e Marlos. Campeonato Brasileiro é complicado. Mas o principal problema foi o Luis Fabiano não estar em condições no começo. Se ele estivesse bem desde a sua contratação, a história do São Paulo na competição seria diferente. O time teria uns quatro ou cinco pontos a mais, conquistados em jogos que perdeu ou empatou no Morumbi, e estaria brigando pelo título.

GE.Net: O São Paulo errou em apostar no Luis Fabiano?
Darío Pereyra: Às vezes, você contrata um bom jogador e não dá certo. O Corinthians trouxe praticamente três atacantes definidores Adriano, Emerson e Liedson . Muitas vezes, nenhum deles estava disponível. O São Paulo se reforçou com um só, que quase não jogou. Aí, fica difícil. Todos os times campeões têm bons centroavantes, de ofício. Nos anos em que o São Paulo se deu bem, havia esse jogador. Repito que também faltaram zagueiros experientes. Rhodolfo, Bruno Uvini, João Filipe e outros são bons, mas precisam de muito trabalho, entrosamento e uma série de bons campeonatos para ganhar experiência. Isso conta em um Brasileirão.

GE.Net: Se fosse presidente do São Paulo, você contrataria um reserva para o Luis Fabiano?
Darío Pereyra: Não precisa disso. O Willian José vai ficar. Entrando aos poucos, ele ganhará o espaço dele no São Paulo. É um bom jogador, que foi bem na categoria de base da Seleção Brasileira e só precisa de um pouco mais de experiência.. Não é para mim. Fiquei três anos trabalhando na Traffic como observador técnico, mas já saí de lá faz um tempo. Agora, estou vendo se volto a atuar como treinador ou como coordenador de algum projeto. O meu negócio é dentro de campo. Gosto e entendo disso.

GE.Net: Mas falta um uruguaio ao São Paulo? O clube já teve Darío Pereyra, Diego Lugano, Pablo Forlán, Pedro Rocha...
Darío Pereyra: Os uruguaios sempre se deram bem no São Paulo. Pode ser a carência do time atual risos . Os jogadores de hoje do Uruguai são de uma safra boa, humildes, amigos. Conversei com alguns deles e sei que honram suas camisas, até porque fizeram grande campanha na Copa do Mundo e ganharam a Copa América. Mas o São Paulo também já formou grandes times sem uruguaios. Com três boas peças, independentemente da nacionalidade, o clube voltará a brigar para ser campeão.

Gazeta Esportiva