Brasileiro foi vencedor da competição em 2008/09
Foto: Diego Fructuoso/Team Telefónica/Divulgação
Nove meses empenhados em uma volta ao mundo a bordo de um veleiro. Essa é a missão dos tripulantes dos seis barcos que participam do Volvo Ocean Race, o mais longo evento desportivo do mundo. Os competidores enfrentam condições extremas para chegar ao final do evento.
Dentre os 66 participantes dessa corrida em alto mar, está o brasileiro Joca Signorini, membro da equipe Team Telefônica. Essa é a terceira vez que o carioca participa deste evento. A primeira foi a bordo do Brasil 1 e a segunda com o Ericsson 4, barco campeão na edição de 2008/2009.
A corrida exige muitos sacrifícios dos tripulantes, obrigados a se adaptar ao duro conjunto de tarefas dentro do barco. "A primeira noite é bem difícil porque tem que começar a se adaptar a rotina do barco", comentou.
"Nos dividimos em dois turnos em que velejamos e descansamos. São quatro horas de trabalho para quatro horas de descanso, então a gente não têm um sono contínuo. Tudo isso demora para se acostumar, são dois ou três dias de adaptação", explica Joca. "Mas também quando desembarcamos, estamos tão acostumados a dormir picado que acordamos no meio da noite", concluiu.
A função de Joca no barco é de chefe de turno (watch leader). É ele o responsável por tomar decisões imediatas durante seu turno. O outro tripulante que exerce a mesma função é o britânico Neal McDonald.
"São 24 horas por dia na mesma rotina tentando manter o máximo de performance", acrescentou. Algumas mudanças podem acontecer no regrado dia de navegação, mas nem sempre isso significa uma vantagem. "Algumas manobras exigem que todos participem e se você estiver em seu turno de descanso, você perde isso".
A folga não é usada apenas para dormir. Esse tempo tem que ser aproveitado para os velejadores se alimentarem e cuidar da higiene pessoal. Joca garante que a comida não é das mais saborosas. "É uma massa com carne ou um arroz com alguma coisa e completamos a alimentação com barras energéticas".
O barco tem que viajar o mais rápido possível, por isso não há espaço para luxo. "O conforto é mínimo", garante o brasileiro. Não há espaço sequer para o armazenamento de água, mas a solução é encontrada por todos os lados: o mar. "Usamos um sistema desalinizador, que tira o sal da água, e acrescentamos alguns minerais", conta Joca.
Quanto às questões de higiene, também é preciso aproveitar-se da natureza. "Banho só quando chove", revela o carioca. "Usamos alguns cremes para higiene pessoal, para não desenvolver infecções", explica.
As condições extremas pelas quais os tripulantes passam começam pelas temperaturas enfrentadas. Elas podem ser de 15°C negativos, em regiões próximas aos pólos, ou podem atingir até 45°C, quando os competidores cruzam o Equador.
Além dos primeiros dias, que exigem a difícil adaptação à rotina da embarcação, Joca Signorini destaca como um dos trechos mais difíceis a passagem pelo Atlântico Sul.
"A velocidade do barco aumenta muito nesse trecho, foi onde eu bati o recorde quando estava no Ericsson. Nesse ano chegamos a uma velocidade bastante alta, mas não foi o suficiente para um recorde", relatou. O Ericsson 4 detém o recorde de velocidade, com 594 milhas náuticas percorridas em 24 horas.
Até o momento, a equipe de Joca segue na liderança com 71 pontos, sete a mais que o segundo colocado Camper. O terceiro é o barco Groupama Sailing Team, com 51 pontos, seguidos pelo Puma Ocean Racing, com 36, Abu Dhabi Ocean Racing, com 31, e o Team Sanya, lanterninha com apenas 11 pontos.
O bicampeonato na Volvo Ocean Race é uma das metas de Joca Signorini, mas o carioca também pensa em Olimpíada. Ele participou de Atenas. em 2004, e tem pretensões para as disputas de 2016, no Rio de Janeiro.
"Eu gostaria de participar, se tivesse a oportunidade de fazer uma preparação para o Rio", comentou. No entanto, a ambição de Joca é por uma boa apresentação e não meramente uma participação. "Teria que ter um trabalho coordenado, não participaria só por participar. Teria que ser brigando por medalha", projetou Joca.
- Gazeta Esportiva




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