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Países com atletas na NHL encaram entrosamento como luxo

17 fev 2010
15h29
atualizado às 16h10
Charles McGrath e Jeff Z. Klein

Times olímpicos de hóquei no gelo não são formados no último minuto. A maioria das equipes esteve em campos de treinamento no último verão do hemisfério - exceto pelos tchecos, cujo técnico, Vladimir Ruzicka, não acredita na sua eficácia desses campos.

As escalações foram feitas semanas atrás, com poucas mudanças decorrentes de lesão. Mas por causa do cronograma da NHL (liga norte-americana de hóquei no gelo), que faz apenas concessões rancorosas às Olimpíadas, ainda havia jogadores chegando na terça-feira, um dia antes da competição de hóquei começar.

Somente os times com poucos jogadores na NHL, ou seja, os mais fracos, estavam completos para os treinos, que poderiam ter começado no domingo. A Eslováquia tinha apenas nove jogadores e pôs no gelo seu gerente-geral, Peter Bondra, de 42 anos. Canadenses e americanos cancelaram seus treinos de domingo. Os Estados Unidos, com jogadores ainda cansados pela viagem, fizeram exercícios leves na segunda-feira, usando parte de seu tempo para tirar a foto de equipe.

Assim, na tarde de segunda-feira, muitos dos times se reuniram pela primeira vez e começaram o processo de desenvolver ataques, defesas e um sistema de marcação, o que normalmente leva semanas. Os técnicos precisaram criar rapidamente entrosamento entre os jogadores, que na maior parte do ano são rivais, e lidar com temas sensíveis como estipular um papel menor para jogadores acostumados a serem estrelas.

Em um treino russo particularmente bem organizado, o técnico Vyacheslav Bykov dividiu seu time em quatro grupos de cinco pessoas, cada grupo usando um suéter de cor diferente. Eles treinaram quase como unidades individuais e se reuniram em longas miniconferências. Eles trabalharam em como aproveitar vantagens e em escapadas, nas quais cada grupo aparentemente tinha um "suporte", um jogador parado na linha azul procurando por uma escapada rápida.

Mais tarde, Pavel Datsyuk se negou a dizer se os grupos coloridos continuariam juntos pelo resto das Olimpíadas. "Pergunte ao técnico", disse. Mas os agrupamentos sugerem ideias surpreendentes por parte da equipe técnica russa. Sergei Fedorov, Slava Kozlov e Alexander Radulov, que jogam na Liga de Hóquei Kontinental, ficaram juntos, mas Alex Ovechkin, Evgeni Malkin e Ilya Kovalchuk - os três melhores jogadores do time e um grupo potencialmente devastador - não ficaram. Ao invés disso, Ovechkin ficou com Datsyuk e Alexander Semin, que é colega de Ovechkin no Washington Capitals.

A filosofia de manter unidos os jogadores acostumados uns aos outros é empregada por vários times. O técnico do Canadá, Mike Badcock, por exemplo, parece estar mantendo no mesmo grupo Joe Thornton, Patrick Marleau e Dany Heatley, que jogam pelo San Jose Sharks.

Falando sobre a dificuldade de jogadores se entrosarem em pouco tempo, Jarome Iginla, do Calgary Flames e do Canadá, disse: "Quando a equipe técnica fala com a gente, ela já pensou sobre o papel que cada um de nós deve desempenhar. Eles fizeram os grupos, e alguns dos jogadores já jogaram juntos."

Ron Wilson, técnico dos EUA, comparou o processo de reunir um time com um dia de antecedência a um enigma. "É como um cubo de Rubik (cubo mágico, no Brasil)", disse a repórteres no Canada Hockey Place. "Você vai mudando até conseguir um lado com uma só cor." Wilson chegou a Vancouver no final da noite de sábado com alguns jogadores, mas o restante do time só chegou no final da noite de domingo e na madrugada de segunda-feira, disse.

Segundo Wilson, muito mudou desde o encontro de orientação da equipe no último verão americano. Um exemplo envolve Ryan Kesler, do Vancouver Canucks, que inesperadamente passou a marcar muitos pontos.

"Ryan Kesler é quem mais tem gols em ataques com vantagem no nosso grupo, e não estávamos pensando nele para essas jogadas - e sim num papel defensivo", disse Wilson. Mas Wilson ainda não havia conversado com Kesler sobre detalhes.

"Não me sentei para conversar individualmente com os jogadores para explicar seus papéis", disse Wilson, "mas eles entendem genericamente sua situação pela escalação que viram na nossa apresentação hoje. Mas também lhes disse que estamos apenas começando. Nossa forma de jogar e a forma com que cada indivíduo joga vão acabar sofrendo mudanças."

John Tortorella, técnico do Rangers que é assistente do time dos Estados Unidos e responsável pelos ataques com vantagem, falou sobre como montar um sistema. "Você não monta", disse. "Você faz o melhor que pode. Mas não estamos tentando reinventar nada, só saímos do caminho e deixamos os atletas jogarem."

Algo que Wilson tinha definido era a defesa do gol. "Ryan Miller é nosso goleiro inicial", disse. "Não conversei com os outros goleiros. Só com Ryan. Na semana passada, conversei com ele durante o Super Bowl e lhe disse que ele seria o primeiro goleiro, para que não se preocupasse com isso nesta semana."

Wilson disse que foi "realmente difícil jogar bem de forma coesa e defensiva em menos de uma semana", dando importância extra à posição de primeiro goleiro. "Vou conversar com os outros e fazer uma pequena alternância como garantia", disse Wilson, se referindo a Tim Thomas e Jonathan Quick.

Para os jogadores, o pouco tempo dividido entre o time do clube e o time nacional faz parte do pacote. "Creio que seja a natureza do ramo", disse Ryan Suter, do Nashville Predators e uma alternativa de capitão para os Estados Unidos. "Mas o hóquei é um jogo simples quando se joga duro, então vamos jogar duro."

Tradução: Amy Traduções

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The New York Times

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