atualizado às 19h40

Após reunião com diretoria, Valdivia decide ficar no Palmeiras

Mesmo abalado, meia Valdivia decidiu seguir no clube alviverde em momento importante na Copa do Brasil e Brasileiro Foto: Tom Dib / Agência Lance
Mesmo abalado, meia Valdivia decidiu seguir no clube alviverde em momento importante na Copa do Brasil e Brasileiro
Foto: Tom Dib / Agência Lance
 

Uma reunião entre a diretoria do Palmeiras e o meio-campista Valdivia definiu que o camisa 10 permanece no clube alviverde ao menos até o final da Copa do Brasil e a recuperação no Campeonato Brasileiro. As partes se reuniram na tarde desta sexta-feira na Academia de Futebol e definiram o acordo.

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"Entendemos o momento difícil do Valdivia, e chegamos a conclusão que a convivência dele com os companheiros nos treinos e jogos pode ajudá-lo a retomar as atividades normais do dia-a-dia dele", afirmou o gerente de futebol César Sampaio, ao site oficial do clube alviverde.

O chileno, inclusive, já se colocou à disposição para jogar diante do Vasco da Gama, neste domingo, às 16h (de Brasília), na Arena Barueri. O camisa 10 treinou normalmente nesta sexta e pode ser relacionado pelo técnico Luiz Felipe Scolari para o duelo válido pela quinta rodada da Série A.

"Apesar de ainda estar bastante abalado emocionalmente, não quero atrapalhar a equipe com essa história de que vou sair ou vou ficar, pelo contrário. Quero ajudar o Palmeiras nesta partida decisiva contra o Grêmio (Copa do Brasil) e também na nossa reação no Brasileiro", afirmou Valdivia.

Luis Valdivia, pai do jogador, esteve na reunião com o gerente de futebol César Sampaio, o vice-presidente de futebol Roberto Frizzo e o diretor jurídico Piraci Oliveira.

Antes, quando abordado pela imprensa durante o treinamento, Luis Valdivia havia ressaltado que era o filho quem tomaria a decisão sobre o futuro, e não a família, que ficou abalada com o incidente - a mulher dele retornou ao Chile e, segundo o jogador, não demonstra ter vontade de morar mais uma vez no Brasil.

Mais do que isso, o pai do atleta constatou a melhora de Valdivia depois do sequestro e afirmou que um possível retorno ao futebol chileno era pouco provável por conta do alto valor que os clubes do país precisariam desembolsar para ter o jogador. Ainda assim, após a disputa da competição que dá uma vaga ao campeão na próxima Copa Libertadores da América, o camisa 10 deve ter novas conversas com a diretoria.

Entenda o caso:
Valdivia foi vítima de um sequestro relâmpago na noite da quinta-feira, dia 7 de junho, na Avenida Sumaré, na zona Oeste de São Paulo. O jogador foi rendido um homem armado e ficou durante quase três horas como refém até ser libertado na frente da Academia de Futebol, na Avenida Marquês de São Vicente. O chileno não sofreu ferimentos e teve R$ 1 mil roubados (máximo permitido para saques em caixas eletrônicos no horário).

No momento do sequestro, Valdivia estava acompanhado da mulher, Daniela Aránguiz, que ficou impressionada com o acontecimento e pediu para retornar ao Chile. O camisa 10 foi dispensado da partida de sábado (dia 9) contra o Atlético-MG, no Estádio do Pacaembu, e autorizado a viajar a Santiago na manhã da sexta. O meio-campista havia dito que se reapresentaria na segunda (11).

Em entrevista à emissora chilena TVN, porém, Daniela disse que havia sofrido uma tentativa de agressão sexual dos sequestradores e frisou que não regressaria a São Paulo. "Quando ficamos sozinhos, ele (sequestrador) tentou me tocar. Eu não posso voltar ao Brasil. Tínhamos uma vida, compramos um apartamento, mas eu e meus filhos não vamos voltar", assegurou.

Ciente dos problemas, o Palmeiras admitiu alongar o prazo para que Valdivia se reapresentasse. Gerente de futebol da equipe alviverde, César Sampaio declarou que o meia estava "bem abalado" com o ocorrido e que era necessário "respeitar o lado humano e dar o apoio necessário". O dirigente afirmou que o camisa 10 deveria retornar "quando estivesse bem" e "com a cabeça no clube".

Valdivia, aliás, não se reapresentou na data inicialmente marcada e faltou ao treinamento realizado na manhã de 11 de junho. O meia, porém, embarcou na companhia do pai (e sem a mulher) em Santiago a caminho do Brasil para se reapresentar ao Palmeiras. Contudo, o volante Claudio Valdivia, irmão mais novo do palmeirense, informou que o atleta está disposto a deixar o Palestra Itália.

"A ideia é voltar ao Brasil para conversar com os dirigentes e chegar a um acordo. O Jorge não está bem e viajará nosso pai com ele, para que veja o assunto do contrato. Talvez seja possível ver uma cláusula para deixar (o Palmeiras) e jogar em outro país. Ele quer estar com a família e não conseguirá isso lá (no Brasil)", disse Claudio Valdivia, que chegou a defender o Palmeiras B durante a primeira passagem do chileno pelo clube.

Na quinta (14), Valdivia deu entrevista na Academia de Futebol do Palmeiras e relatou o caso de sequestro aos jornalistas. O chileno admitiu que sofreu ameaças de morte durante o período em que esteve com o criminoso e que ficou abalado por vários dias. Durante a entrevista, inclusive, o camisa 10 não garantiu permanência no clube do Palestra Itália.

No dia seguinte, entretanto, Valdivia voltou a treinar com o restante do elenco em preparação para o duelo contra o Vasco da Gama, pelo Campeonato Brasileiro. Após a movimentação, o chileno, os representantes e a diretoria alviverde se reuniram e definiram que ele permanecerá no Palmeiras, ao menos, até o final da participação do time na Copa do Brasil.

Terra