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Sede de provas de remo e canoagem dos Jogos Pan-Americanos, o Estádio de Remo da Lagoa vai voltar ao olho do furacão. Ontem, o governo estadual anunciou injeção de R$ 14,6 milhões na obra.
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No mesmo dia em que o governador Sérgio Cabral divulgou que entregará a instalação pronta em 15 de maio, o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Rio, Carlos Fernando Andrade, informou que enviará um técnico ao local para constatar oficialmente irregularidades. "O projeto original aprovado não incluía nova construção", observou ele.
Andrade se refere à reconstrução da arquibancada, demolida em 27 de dezembro, contrariando decisão judicial, e que vai custar R$ 4,7 milhões, somados os custos de reurbanização da área (jardins, ciclovia e vagas para carros).
Embaixo da nova arquibancada serão erguidas seis salas de cinema do Lagoon, complexo de lazer da Glen Entertainmet. Segundo a empresa, o empreendimento está orçado em R$ 30 milhões.
O Ministério Público questiona a concessão de uso do estádio à empresa, porque não houve processo de licitação. Em primeira instância, a Justiça deu ganho de causa ao MP. No entanto, a Glen entrou com recurso e obteve liminar que garante a continuidade das obras até a sentença final.
Para o promotor Eduardo Carvalho, da 8ª Promotoria de Cidadania, o contrato com a Glen causa prejuízo ao estado. "A única justificativa para ceder o espaço sem licitação seria contar com a contrapartida de investimentos da empresa. Mas o estado vai arcar com parte da obra", ressaltou.
A Federação de Remo do Estado do Rio, que é contra a construção do Lagoon, também questiona a necessidade de nova arquibancada. "O estádio já recebeu competições memoráveis com o antigo equipamento", lembrou.
O secretário estadual de Turismo, Esporte e Lazer, Eduardo Paes, diz que desconhece a briga judicial e que todas as decisões sobre o Estádio de Remo da Lagoa foram tomadas junto com a Procuradoria-Geral do Estado.
A Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio (Emop), responsável por levantar a nova arquibancada, informou que desconhece a falta de licença. Mas ressaltou que está disposta a ouvir o Iphan para resolver qualquer impasse. A nova estrutura terá capacidade para 5 mil espectadores.