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A nadadora Renata Burgos, da Unaerp de Ribeirão Preto/SP, está suspensa por conter em sua urina metabólitos de estanozolol, que é um esteróide anabolizante sintético derivado da testosterona, substância considerada proibida pela Federação Internacional de Natação (Fina).
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A velocista, 25 anos, ficará dois anos fora de qualquer competição oficial, contando a partir da data da prova em que a atleta se submeteu ao exame antidoping. Desta forma, ele é ausência certa no Pan-Americano.
No dia 15 de dezembro do ano passado, Renata Burgos venceu os 50m livre do Campeonato Brasileiro de natação, disputado em Vitória, e cravou o melhor tempo da carreira: 25s56.
Ela deixou Flavia Delaroli e Rebeca Gusmão, nadadoras de peso, para trás (ambas com 25s62). Até então, a melhor marca feita por Burgos era 25s76, 20 centésimos a mais, batida em 2004, na preparação para os Jogos Olímpicos de Atenas, quando conseguiu o segundo melhor tempo do revezamento 4x100m livre que terminou na 11ª colocação.
No feito da melhor marca, Renata Burgos vibrou como criança e demonstrou um alívio em estar entre as melhores do mundo. "É a primeira vez que venço a Flávia em Brasileiro Absoluto e a primeira também que consigo vaga para um Mundial. Vim nadar sem pensar no índice, acabei fazendo o meu melhor tempo em piscina longa".
Com o tempo conquistado, a nadadora se classificou para o Mundial de Esportes Aquáticos de Melbourne, na Austrália, que começa nesta semana, e obrigatoriamente precisou ser testada. O exame constatou presença da substância na urina da atleta. Uma contraprova foi realizada e o resultado também deu positivo.
"A CBDA sempre fez os controles de doping de acordo com a Fina e a WADA (Agência Mundial de Anti-Doping). Todos os julgamentos seguem padrões internacionais. Toda chance de defesa foi dada a atleta. Ouvimos a nadadora e fizemos a contraprova", disse Renata Castro, diretora médica da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos.
Segundo a médica Renata, a substância estanozolol, conhecida para uso de anabolizantes, traria benefícios para o físico da atleta, como ganho de massa e força muscular.
"Para quem nada 50m livre é muita coisa. Como é uma prova de impulsão, com mais força, há mais deslocamento de água e faz muita diferença na performance da atleta", explicou.
Marcelo Teixeira, técnico da Renata Burgos há 5 anos, disse que irá recorrer da decisão. Segundo ele, a CBDA, responsável pelo exame, demorou para entregar o resultado da contraprova, o que para a atleta foi um período de perdas e danos.
"Já vimos que o resultado deu positivo. Faz parte da regra, mas vamos buscar alguma coisa. É triste para a gente que é contra esse tipo de coisa", disse ele.
"Em 10 dias, enquanto esperava o resultado da segunda mostra, minha atleta ficou sem nadar direito. Não conseguiu treinar, parava no meio do treino, ficou uma noite inteiro chorando, sem dormir", emendou.
Em relação ao Pan do Rio, o treinador acredita que seria uma perda para o Brasil.
"Ela não teria motivos para fazer uma coisa dessas. Ela estaria no Pan com certeza. Disputando em casa, com bom tempo. Pelo menos participaria do revezamento, que é medalha garantida para o Brasil", observou.
A nadadora estará suspensa do esporte até fim de 2008, mas poderá recorrer a Corte Arbitral do Esporte (CAS), como instância máxima do esporte mundial. Renata Castro, todavia, acredita que, neste caso, a pena não poderá ser reduzida, ao menos anulada, já que foi feita a contraprova do exame.
"Quando é uma substância de fácil acesso, como, por exemplo, remédios para nariz, asma ou droga social (maconha), o caso pode haver uma redução. No caso desta nadadora, não poderá. Julgamentos com anabolizantes não permitem redução da pena", destacou.
De acordo com relatório da Fina, o Brasil, em particular os nadadores nacionais, servem de exemplo para o mundo em relação ao combate do doping. No ano passado, foram 1.131 exames antidoping realizados.
Fora de disputa, foram testados 721 atletas de 41 países. Em competição, foram 567 atletas de 51 países em um total de 752 testes feitos.
Renata Burgos foi procurada pela reportagem, mas não atendeu ao telefone.