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Suspensa depois de o exame antidoping ter acusado a presença de estanozolol (anabolizante) na urina, a nadadora Renata Burgos, 25 anos, tentou, em sua defesa, atribuir o aparecimento da substância ao suplemento alimentar que tomou.
Depois do resultado positivo do doping, a junta médica que analisou o caso solicitou à atleta que indicasse o suplemento que estaria sendo usado. A análise foi feita pelo Laboratório INRS-Santé - Institut Armand-Frappier, credenciado pela Agência Mundial Antidoping (WADA), e o resultado foi positivo.
Havia estanozolol no composto alimentar enviado pela nadadora, com o frasco aberto. Segundo regulamento da Federação Internacional de Natação (Fina), para certificar, o laboratório pediu à empresa fabricante do produto que mandasse um frasco lacrado, do mesmo lote do usado por Renata Burgos, sem possibilidade de adulteração.
"A prova B do produto lacrado deu negativo, ou seja, o suplemento alimentar não contém a substância proibida", explicou Renata Castro, diretora médica da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA).
O técnico de Renata, Marcelo Teixeira, insiste no recurso à suspensão. "Vimos que o suplemento deu positivo. Intenção não tinha. Faz parte da regra do jogo. Vamos buscar alguma coisa para entrar com recurso", afirmou.
Com isso, o resultado da suspensão de Renata Burgos fica mantido. Serão dois anos longe das piscinas, inclusive do Pan-Americano do Rio.
"Toda chance de defesa foi dada a atleta. Vale ressaltar que não estamos julgando a intenção da atleta. O que julgamos é a presença da droga na urina do desportista. A primeira regra da Fina diz que a intenção não é considerada porque não há como avaliar", disse a diretora médica da confederação brasileira.
Marcelo Teixeira disse estar desconfiado do resultado. "Tem coisa estranha aí. Nenhum doping demora meses para sair o resultado oficial. A atleta sofreu muito nesse tempo. É a minha carreira que está em jogo também", contou o treinador.
Segundo Renata Castro, o resultado da amostra A do exame de Burgos saiu dias depois do término do Campeonato Brasileiro, em Vitória, em 15 de dezembro passado. A demora na divulgação do positivo deveu-se ao fato de a atleta ter pedido o teste da amostra B, que confirmou o doping.
"Houve o painel de doping, no qual a atleta afirmou que não ingeriu a substância. Segundo Renata, se ela ingeriu, não foi por querer", explicou.
O estanozolol é uma das drogas mais fáceis de serem detectadas. O caso mais famoso de ingestão da substância é o do corredor canadense Ben Johnson, que bateu o recorde mundial dos 100m rasos nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, com a marca de 9s79.
Ben Johnson teve a sua medalha cassada e o recorde suspenso. Ele ficou quatro anos fora do esporte, retornou e foi testado positivo novamente, sendo então banido para sempre do atletismo.