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A Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) estuda punir não apenas o atleta envolvido em caso de doping, mas também suspender toda a comissão técnica que acompanha o infrator.
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A proposta será analisada no próximo mês, em Lisboa, em reunião do comitê de atletas da agência. No Brasil, o Comitê Olímpico (COB) fará testes em todos os 699 atletas que disputarão os Jogos Pan-Americanos. Tudo para evitar possíveis perdas de medalha em decorrência de resultados positivos.
"O atleta, hoje em dia, está mais informado, mas, muitas vezes, nem é ele quem toma a iniciativa de usar algo proibido. Parte de alguém do seu staff", disse Marcos Vinícius Freire, o chefe-de-missão da equipe brasileira no Pan.
O dirigente informou que o COB enviará a cada atleta brasileiro no Pan uma cartilha com a lista de substâncias permitidas e as que são consideradas dopantes. Conterá também informações como o princípio ativo e o nome-fantasia de cada medicamento para não haver risco de ingestão de remédio de forma desavisada.
O COB prepara ainda uma campanha, junto a atletas novatos, de conscientização contra o uso de doping. Marcos Vinícius explica que serão usados meios como Internet e videogames na campanha. O comitê negocia com cantores e atores para participar.
Além da conduta de tolerância zero ao doping dos brasileiros, o COB fará cerca de 1,3 mil exames nos atletas dos outros países que irão disputar o Pan, segundo o médico Eduardo De Rose, responsável pelo controle de doping da entidade.
"A partir do dia 30 de junho vamos fazer exames antidoping em 3% dos atletas de cada delegação e, depois, vamos fazer novos testes com os finalistas e medalhistas das provas", disse De Rose.
A equipe para o combate e controle do doping nos Jogos será formada por 30 médicos especializados e 300 escoltas, responsáveis por notificar o atleta e acompanhá-lo no exame.
As medidas propostas pelo comitê para dar uma punição mais rígida a quem for flagrado usando substâncias proibidas agradou aos atletas.
Para a triatleta Sandra Soldan, o COB deveria fazer mais vezes os exames nos esportistas brasileiros, apesar de "o doping estar anos-luz à frente do antidoping".
"Sou médica e sei o mal que faz, além de ser muita sacanagem com quem está ralando, fazendo dieta para emagrecer, pegando pesado na musculação. Tira a premiação, o glamour e desestimula quem está limpo", criticou Sandra, lamentando o alto custo dos testes.
"O kit antidoping é muito caro. No triatlo só é feito uma vez por ano em algum evento oficial e, mesmo assim, às vezes nem pegam todos. Resultado: vira e mexe um atleta é pego e, dois meses depois, está competindo de novo", emendou.
Para o iatista Maurício Santa Cruz, o trabalho de conscientização pode facilitar a vida e tranqüilizar os atletas.
"Estamos bem informados porque sempre há palestras sobre o assunto, mas toda vez que vou tomar algum remédio tenho que ligar para o COB", contou o campeão mundial da classe J-24.
"Até medicamentos para resfriados e nariz podem conter substâncias proibidas que um médico comum não sabe", encerrou.