Pan-Americano 2007

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Quinta, 12 de julho de 2007, 11h32 

Sem-teto espalham imagens de mascote do Pan com fuzil


Alexandre Vieira/O Dia

Mascote do Pan aparece com fuzil em cartazes e camisetas
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São sem-teto os responsáveis pelas imagens de Cauês (mascote dos Jogos Pan-Americanos) armados de fuzis que foram espalhadas pela cidade nos últimos dias e provocaram a indignação até do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.

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Integrantes da ocupação Zumbi dos Palmares, ligados ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e à Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência, admitem a autoria das pichações em pontos de ônibus e em áreas dos Jogos.

Eles vendem camisetas com o desenho e a inscrição "Pandemônio" em diversos pontos da cidade, inclusive em frente ao prédio invadido, localizado a um quarteirão da superintendência da Polícia Federal, na Praça Mauá.

O serigrafista Joel Valentim intitula como "obra do mestre Valentim" as camisetas em que, sob a palavra "Pandemônio", Cauê aparece portando um fuzil na entrada de uma favela.

Atrás, avista-se o veículo blindado da Polícia Militar conhecido como "Caveirão". Segundo ele, os desenhos fazem alusão à truculência das autoridades contra a população carente.

"Eu próprio já fui vítima dessa opressão quando morava no morro do Borel e trago a marca disso", disse, mostrando uma cicatriz no braço que teria sido resultado de um tiro de fuzil.

"Na região dos Jogos, na Barra da Tijuca, famílias foram desalojadas para a construção de estádios e da Vila Pan-Americana. O direito delas, que já tinham endereço fixo, não foi respeitado", explicou.

Embora idealizado por Valentim, os traços do desenho são do chargista Latuff, já acusado de anti-semitismo por causa de uma charge em que um soldado nazista usando um bracelete com a bandeira de Israel despeja uma bomba sobre o Líbano.

Sem entrar em detalhes, Valentim saiu em defesa dos sem-teto que estamparam a imagem dos Cauês armados em muros e pontos de ônibus do Centro e no Complexo do Maracanã - iniciativa que o governador Sérgio Cabral qualificou a atitude como "uma graça" feita por "um bobalhão".

"Querem nos intimidar, nos inibir, mas a gente não teme e não se acomoda diante de ameaças. Vamos continuar a divulgar nossas idéias", disse.

Uma das primeiras imagens de Cauê armado, de cerca de 30cm, apareceu em um ponto de ônibus no Centro. Desenhos idênticos surgiram em outras partes do Centro e no lado de fora da Cidade do Samba, na Gamboa. A pichação no Complexo do Maracanã, em frente ao Parque Aquático Júlio Delamare, foi registrada terça-feira na 18ª DP (Praça da Bandeira).

Já as camisetas, em dois modelos, são vendidas a R$ 10, em tamanhos P, M e "baby look", em frente ao prédio ocupado, na Uruguaiana, em Botafogo, e nos sindicatos dos Metroviários e dos Profissionais de Educação.

No total, segundo Valentim, foram confeccionadas cerca de 300 peças. A receita das vendas é repassada para os trabalhos de manutenção na Avenida Venezuela. O serigrafista afirmou que uma faixa preparada pelo movimento com a mesma imagem será usada em breve em uma manifestação política.

"Mas o lugar eu não revelo, é segredo de estado", disse. A esposa de Valentim, Antônia Ferreira dos Santos, 31 anos, que ajuda a vender as camisas, conta que os sem-teto não sofreram repressão por conta do "Pandemônio".

Segundo ela, a iniciativa teria despertado, ao contrário, manifestações de apoio da população.

"A gente está trabalhando a mente das pessoas, para que elas participem mais das coisas. É um trabalho para beneficiar o coletivo", disse ela.

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