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Após conquistar a primeira medalha de ouro do Brasil nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, o lutador de taekwondo Diogo Silva disse que teve uma infância difícil em Campinas, no bairro Jardim Roseira e Padre Manoel da Nóbrega, e que muitos de seus amigos foram para o lado do crime.
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"No bairro onde eu nasci, para você ser alguém, tinha que ter uma arma. Muitos dos meus amigos continuaram por este lado e lá estão até hoje. Minha mãe trabalhou muito para me dar uma condição boa de vida", desabafou Diogo Silva.
"Dos que estão no mundo do crime, alguns é porque gostam e outros é porque tentaram alguma coisa diferente e não conseguiram. Eu mesmo, quando era criança, queria fazer algum outro esporte e não tinha chance. O que falta para as pessoas é oportunidade", comentou o brasileiro, antes de falar da emoção que sentiu ao subir ao lugar mais alto do pódio no Riocentro.
"Eu pensei: 'sempre era a vez dos outros estarem ali e desta vez fui eu que consegui'. Não tinha como conter as lágrimas", afirmou o campineiro.
O brasileiro comentou sobre a dificuldade de praticar o taekwondo no Brasil por falta de incentivos e de patrocínio.
"Esse ano não estou recebendo Bolsa Atleta. Na época da renovação, estava competindo no exterior e não consegui fazê-la. Ganho R$ 600 da Confederação Brasileira de Taekwondo que atrasava a cada três meses. Quando chegou perto do Pan, passaram a pagar em dia", explicou.
Diogo Silva disse também que teve que tirar dinheiro de seu próprio bolso para conseguir competir e que agora conseguirá ajudar sua mãe em seu emprego de manicure, dando-lhe de presente um carro.
"Tive que investir R$ 5 mil do meu próprio bolso para poder competir na Europa. Estava guardando esse dinheiro há dois anos para comprar um carro para minha mãe. Ela é manicure e trabalha na casa das pessoas. Precisa se deslocar muito. Pensei muito quando precisei gastar esse dinheiro, mas agora com este ouro, tenho certeza que vou poder realizar o sonho de dar este presente para minha mãe no futuro", disse, antes de afirmar que, em sua opinião, esporte e política andam sempre juntos.
"Na minha opinião, muitos atletas pecam por não se envolverem com a política. Na minha cabeça, esporte e política caminham lado a lado. Nós somos ícones, somos exemplos. Muitos atletas vitoriosos poderiam se esforçar mais nesse sentido. As pessoas em casa poderiam ouvir coisas mais úteis para o seu dia-a-dia", completou.