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O levantador Ricardinho foi cortado da Seleção Brasileira que vai disputar a competição de vôlei dos Jogos Pan-Americanos. Houve um atrito com o técnico Bernardinho, que optou por abrir mão do melhor jogador da Liga Mundial e substituí-lo por seu filho, Bruno Rezende.
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"É complicado perder uma peça tão importante, mas temos de tomar as decisões baseados naquilo que achamos certo. Conversei com ele e toda a equipe longamente. Disse que precisava dar um tempo, e ele saiu magoado, é natural", declarou o treinador, após o treinamento deste sábado.
Não ficou claro o motivo do corte de Ricardinho, que se apresentou à Seleção Brasileira apenas neste sábado, por conta dos problemas enfrentados nos aeroportos brasileiros. Nas palavras do atleta, o atraso foi utilizado como "desculpa" pela comissão técnica.
Segundo o levantador, a causa de sua dispensa foi um atrito ocorrido na Finlândia, em um dos últimos jogos do Brasil na fase de classificação da Liga Mundial. Ele explicou que o atraso não serve como justificativa porque o atacante Dante teve o mesmo problema e também chegou ao Rio neste sábado.
"Tivemos problemas três, quatro dias antes da Liga, coisas que sempre aconteceram durante sete anos, coisas de família, a família Bernardinho, como eu continuo chamando. A comissão técnica fez coisas erradas e, como capitão, eu lutei pelo grupo", contou o atleta ao Sportv.
Ricardinho esperava que a situação fosse contornada internamente, mas foi surpreendido ao chegar ao Rio de Janeiro. Em uma reunião que teve a participação de todos os jogadores, foi avisado de que não participará da luta pelo Pan-Americano, o único título que o grupo atual da Seleção não tem.
Como não havia reservas em seu nome no hotel em que está hospedado o elenco, o levantador se sentiu traído. Para ele, o fato de seu uniforme não estar na cidade que recebe os Jogos Pan-Americanos mostra que a decisão sobre o corte havia sido tomada ainda na Europa, onde o Brasil conquistou a Liga Mundial.
"Eu jamais o traí, jamais orquestramos qualquer coisa contra ele", respondeu Bernardinho, que avisou: diante da situação apresentada, tomaria a mesma decisão em qualquer competição. "Em um momento como esse, em qualquer situação, eu optaria por deixá-lo fora."
Ainda que não tenha deixado claro o motivo da dispensa, o treinador disse que conta com Ricardinho para o futuro da Seleção Brasileira. O atleta, por sua vez, preferiu não adotar um discurso demasiadamente radical e ainda rasgou elogios ao responsável por sua decepção.
"O Bernardo é um cara que eu respeito, tenho no coração. Ele fez com que o grupo ficasse como é hoje, essa coisa homogênea que parece imbatível. Vou aceitar sua decisão, matar no peito, como dizem, até porque ele é um profissional que não tem discussão", acrescentou o atleta.
Por fim, apesar dos elogios, Ricardinho disse ter certeza de que os atletas não concordam com a decisão tomada por Bernardinho. "O grupo não está a favor disso, não está entendendo o que aconteceu. O que eu mais quero, de coração, é que eles se recomponham a partir de amanhã e conquistem esse título que está faltando."