Pan-Americano 2007

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Segunda, 30 de julho de 2007, 09h15 

Para especialistas, segurança não atrapalha ambição olímpica

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Os Jogos Pan-Americanos de 2007 confirmaram a tradição de que o Rio de Janeiro, apesar dos seus índices altos de criminalidade e corriqueiras ondas de violência, consegue realizar eventos internacionais de grande porte em ambiente de relativa tranqüilidade.

No quesito segurança, a opinião de especialistas é de que a experiência com o Pan deve contribuir com pontos positivos para o projeto Rio 2016, que pretende levar os Jogos Olímpicos para a cidade.

"Não surpreende que uma cidade, que desde janeiro está em crise de segurança, se acalme durante um grande evento. Os próprios réveillons em Copacabana mostram essa tendência", diz Silvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes.

A Conferência Rio-92 é outro exemplo bastante lembrado de um Rio calmo e seguro durante uma grande ocasião.

Para Ramos, no entanto, essa segurança não tem como se manter quando a cidade volta a sua rotina. "No Pan, há operações ostensivas em várias áreas da cidade. Essas operações não são sustentáveis. Todo o efetivo da PM foi colocado na rua, e isso é insustentável a longo prazo. Também não se sustenta o contingente da Força Nacional atualmente no Rio", diz.

Para a cientista social, o Pan prova que o Rio de Janeiro tem condição de garantir a segurança para a realização das Olimpíadas.

"E isso não é patriotada, não. Acho que o Pan é mais uma experiência em que uma grande operação articulada, que não existe no dia-a-dia, produz uma ordem real. A cidade acaba criando uma espécie de experiência acumulada nesse tipo de evento", afirma.

O pesquisador Ignácio Kano concorda que a segurança propiciada ao Pan não é novidade no Rio de Janeiro. "A cidade recebe corriqueiramente milhares de turistas e lhes garante segurança. As áreas nobres da cidade têm razoável segurança. Quem não costuma ter segurança no Rio continuou sem segurança durante o Pan", diz Kano, em referência aos moradores das favelas e periferias da cidade.

"O problema da Olimpíada no Rio é mais infra-estrutura do que segurança. Acredito que seja possível organizar Olimpíadas com segurança no Rio, mas elas não serão na Maré ou no Alemão. A cidade continua partida", complementa.

Para o educador e pesquisador Marcelo Paula de Melo, a mensagem que o Pan deixa para a população carioca sobre segurança não é das melhores. "Para os turistas tudo, para vocês que viverão aqui todo o restante do ano o de sempre", argumenta.

A cientista social Silvia Ramos diz ver de forma diferente a situação e não lamenta o fato de a cidade só ficar tranqüila em épocas como a do Pan.

"O Rio tem tido tantas tragédias, tantas frustrações nessa área de segurança, que esse período do Pan fez bem", opina.

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