Os países-membros da União Européia deveriam boicotar os Jogos Olímpicos de Pequim-2008 se a China não intervir em Mianmar, afirmou nesta quinta-feira um parlamentar do bloco europeu.
O vice-presidente do Parlamento Europeu, Edward McMillan-Scott, escreverá ao primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, e à Presidência da UE (atualmente comandada por Portugal) pedindo-lhes que decidam se os atletas devem ou não boicotar os Jogos de Pequim.
"No Parlamento Europeu, o consenso é de que a China é a chave. A China é a mão por detrás do fantoche de Mianmar", afirmou McMillan-Scott. "As Olimpíadas são a única forma de pressão que temos para fazer com que a China adote alguma medida. O mundo civilizado precisa considerar seriamente a possibilidade de punir a China usando os Jogos Olímpicos de Pequim. Dessa forma, enviaremos uma mensagem clara de que tais abusos dos direitos humanos são inaceitáveis."
Graham Watson, líder da Aliança dos Liberais e Democratas, afirmou: "a UE precisa, como um bloco ou por meio da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), pressionar por uma ação conjunta da China e de seus parceiros comerciais na Ásia a respeito de Mianmar."
"Durante um período excessivamente longo, fechamos os olhos e toleramos o regime militar ilegítimo e repressivo existente lá", explicou. Na quinta-feira, pela primeira vez, a China veio a público pedir que Mianmar (ex-Birmânia) agisse com moderação. Mas o governo chinês opõe-se à sugestão feita pela UE e pelos EUA de impor sanções contra os dirigentes militares do país por meio da ONU.
Os comentários surgiram depois de autoridades chinesas e norte-americanas terem se reunido. Os representantes dos EUA pediram à China que use a influência que tem sobre o isolado regime de Mianmar na qualidade de país vizinho e parceiro comercial.
Avalia-se que a opinião dos chineses possui um considerável peso dentro da junta militar, que começou a reprimir a onda de manifestações surgida recentemente no país, a maior em quase 20 anos. Os protestos são liderados por monges budistas.
"Esse movimento religioso de massa vem encontrando eco em toda a Ásia, incluindo a China, a Coréia e o Tibet. Eles estão preenchendo um vácuo político. Não se pode matar a fé. Se alguém tenta fazer isso, acaba morto", afirmou McMillan-Scott, que regressou há pouco de uma visita a Taiwan, Hong Kong e Tailândia.
"Estamos diante de uma repetição dos fatos verificados em 1989 nas regiões central e leste da Europa. Os pastores católicos e protestantes saíram do púlpito e foram às ruas liderar a "revolução de veludo."
O Parlamento Europeu adotou uma resolução na quinta-feira condenando a repressão aos protestos em Mianmar e defendendo a adoção de sanções mais duras caso a junta militar daquele país não implemente reformas democratizantes.
Reuters