Após cinco edições, o Brasil enfim enviou representantes a uma Olimpíada em 1920, quando a cidade belga da Antuérpia. Ao todo, foram 21 atletas e, logo na estréia, o País obteve três medalhas, uma de cada importância, todas no tiro.
O primeiro ouro brasileiro em Olimpíada veio com Guilherme Paraense, que venceu a prova de tiro rápido (25m). Já Afrânio Costa ficou com a prata na pistola livre, enquanto o bronze veio com a equipe de pistola livre formada por Afrânio Costa, Dario Barbosa, Fernando Soledade, Guilherme Paraense e Sebastião Wolf.
Na época, a Comitê Olímpico Brasileiro (COB) ainda não estava em funcionamento e a formação da equipe ficou a cargo da Confederação Brasileiro do Desporto (CBD), que conseguiu o convite graças à presença do brasileiro Raul Paranhos do Rio Branco entre os representantes eleitos. O Brasil participou também de outros quatro esportes (natação, pólo aquático, remo e saltos ornamentais), mas não obteve sucesso.
Fim do intervalo: A Olimpíada de 1920 significou também o fim de oito anos sem competição em razão da Primeira Guerra Mundial. À priori, a sexta edição dos Jogos seria realizada em 1916, em Berlim, mas até a sede foi mudada com a intenção de ajudar na reconstrução da Bélgica, um dos países mais destruídos pelo combate.
O país, porém, teve dificuldades financeiras para montar a estrutura necessária para receber uma Olimpíada. Para se ter uma idéia das deficiências apresentadas pela sede, os atletas tiveram de competir em pistas de atletismo com problemas nas curvas e no nível do piso. Já a piscina apresentou defeito no aquecimento.
Porém, as falhas foram compensadas por uma Cerimônia de Abertura inesquecível. Pela primeira vez o Comitê Olímpico Internacional (COI) apresentou a tradicional bandeira olímpica, branca com anéis representando os cinco continentes. Fora isso, foram soltos pombos para simbolizar e o Juramento dos Atletas foi lido.
Sem a presença de Alemanha, Áustria, Hungria, Bulgária e Turquia em retaliação à participação na Primeira Guerra, a Olimpíada da Antuérpia teve o domínio dos Estados Unidos, que conquistaram 41 medalhas de ouro, 27 de prata e 27 de bronze. O destaque norte-americano foi o nadador havaiano Duke Kahanamoku, que conquistou o bicampeonato olímpico nos 100m livre com quebra de recorde mundial.
Outra nadadora norte-americana que impressionou na Antuérpia foi Ethelda Bleibtrey. Ela ganhou três medalhas de ouros em disputa na natação feminina e quebrou o recorde mundial em todas.
O italiano Nedo Nadi, por sua vez, dominou a esgrima e ficou com cinco dos seis ouros possíveis. Já o sueco Oscar Swahn sagrou-se o atleta mais velho a conquistar uma medalha ao ficar com a prata no tiro. Ele tinha 72 anos. Doze anos antes, ele havia conquistado o ouro em Londres.
Redação Terra