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História

Berlim 1936

Destaque
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Piedade Coutinho
O Brasil se despediu da Olimpíada de Berlim sem nenhuma medalha. Entre os melhores resultados, esteve o da nadadora Piedade Coutinho, que conquistou um honroso quinto lugar nos 100m livre.
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Jesse Owens
O desempenho de Jesse Owens na Olimpíada de Berlim pode ter sido surpreendente para Hitler, mas quem acompanhava o atletismo já sabia que o norte-americano seria o grande nome. Em 1935, ela havia quebrado cinco recordes e igualado outro num espaço de 45 minutos. Entre eles estava a marca de 8,13m no salto em distância, que persistiu por 25 anos.

Na Olimpíada, o norte-americano neto de escravos comprovou o favoritismo e conquistou o ouro no salto em distância, 100m, 200m e 4x100m. O atleta entrou na história não só por seus feitos, mas por ter estragado a festa de Hitler, que esperava utilizar a competição como propaganda da superioridade ariana.
Curiosidades
  • Rival de Jesse Owens nas pistas, o alemão Lutz Long não entrou no clima proposto pelos nazistas e cultivou com o negro norte-americano uma relação de amizade durante a Olimpíada de Berlim. Sem se importar com os olhares dos poderosos, os atletas conversavam animadamente durante os intervalos da competição. Porém, Long mais tarde participou do exército nazista na Segunda Guerra Mundial e foi morto em batalha realizada em 1943.
Ficha
  • Período: 1º de agosto a 16 de agosto
  • Número de países: 49
  • Número de atletas: 3963 atletas (331 mulheres e 3632 homens)
  • Modalidades: 21
    atletismo, basquete, boxe, canoagem, ciclismo, esgrima, futebol, ginástica, handebol, hipismo, hóquei sobre a grama, levantamento de peso, luta, natação, pentatlo moderno, pólo, pólo aquático, remo, saltos ornamentais, tiro, vela
Medalhas
  • Alemanha33263089
  • Estados Unidos24201256
  • Hungria101516
  • Itália89522
  • Finlândia76619
  • -Brasil0000

Organizada durante o período nazista na Alemanha, a Olimpíada de Berlim (1936) era encarada por Adolf Hitler como uma oportunidade de propaganda dos ideais pregados por ele. O ditador queria provar a supremacia da raça ariana no esporte, mas não esperava que um norte-americano neto de escravos colocasse sua teoria por água abaixo.

Com quatro medalhas de ouro nas provas mais tradicionais do atletismo (100m, 200m, 4 x 100 e salto em distância), Jesse Owens superou o campeão alemão Lutz Long para desespero de Hitler. O feito do negro norte-americano foi ignorado por todos os jornais controlados pelos nazistas, que viviam sob influência do ministro de propaganda Joseph Goebbels.

Apesar do importante contratempo no plano nazista, o saldo foi positivo para Hitler. A Alemanha superou os Estados Unidos no quadro geral de medalhas e um filme foi rodado propagando o bom desempenho alemão na Olimpíada de Berlim. "Os Deuses do Estádio", dirigido por Leni Riefenstahl, destacava as conquistas arianas e valorizava os ideais nazistas.

Os investimentos na organização também foram grandes. Mais de US$ 30 milhões foram gastos no treinamento de atletas alemães. O Governo também instalou televisões em edifícios públicos para que a população pudesse assistir a algumas competições, marcando assim a primeira transmissão televisiva em uma Olimpíada.

Três modalidades tradicionais, que seguem na programação olímpica, estrearam em Berlim: basquete, canoagem e handebol. Por outro lado, o pólo, presente desde a primeira edição, fez sua última aparição.

Além de Jesse Owens, a Olimpíada de Berlim teve outros destaques importantes. O dinamarquês Inge Sorensen conquistou a medalha de bronze nos 200m peito com apenas 12 anos, recorde jamais superado por um medalhista olímpico.

Já o húngaro Olivier Halassy subiu no pódio com a equipe de pólo aquático superando a amputação de uma perna após um acidente de carro.

Divisão: O Brasil participou da Olimpíada de Berlim com 94 atletas, que tiveram de lidar com uma situação estranha. Havia duas delegações, uma organizada pela Confederação Brasileira dos Desportos (CBD), responsável pela equipe olímpica até 1932, e outra pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que foi fundada pela segunda vez em 1935.

O Brasil se despediu sem nenhuma medalha, mas o desempenho das mulheres (seis em toda a delegação) foi digno de aplausos. A nadadora Piedade Coutinho conquistou um honroso quinto lugar nos 100m livre.

Entre os homens, os melhores resultados foram obtidos por Sílvio Magalhães Padilha e José Salvador Trindade. O primeiro conseguiu o quinto lugar nos 400m com barreiras, mesma posição atingida pelo atirador Trindade na prova de carabina.

Redação Terra