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História

Cidade do México 1968

Destaque brasileiro
Arquivo CBAt
Nelson Prudêncio
Nelson Prudêncio teve o melhor desempenho do Brasil na Olimpíada da Cidade do México. O brasileiro chegou a quebrar o recorde mundial o salto triplo com 17,27m, mas terminou com a prata, já que o soviético Viktor Saneyev, no salto seguinte, obteve a marca de 17,39m.
Destaque
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Bob Beamon
O norte-americano Bob Beamon chegou à Olimpíada da Cidade do México como favorito. Na temporada preparatória para a competição, o atleta havia vencido 22 dos 23 torneios que disputou, dando a impressão de que ninguém ameaçaria as medalha de ouro.

Porém, depois de uma fase classificatória complicada, com o salto salvador apenas na terceira tentativa, Bob chegou à final desacreditado. Nem ele esperava que saltasse 8,90, marca só superada 23 anos mais tarde.
Curiosidades
  • A Cidade do México também foi palco da maior inovação em um esporte por longo tempo. Dick Fosbury surpreendeu ao ganhar a medalha de ouro e quebrar o recorde olímpico do salto em altura com uma técnica diferente, que consistia em correr de frente para a barra, girar no ar e passar o sarrafo de costas. O salto ganhou o nome de Fosbury e passou a ser utilizado por todos os ateltas da modalidade desde então.
Ficha
  • Período: 12 de outubro a 28 de outubro
  • Número de países: 112
  • Número de atletas: 5516 atletas (781 mulheres e 4735 homens)
  • Modalidades: 20
    atletismo, basquete, boxe, canoagem, ciclismo, esgrima, futebol, ginástica, hipismo, hóquei sobre a grama, levantamento de peso, luta, natação, pentatlo moderno, pólo aquático, remo, saltos ornamentais, tiro, vela, vôlei
Medalhas
  • Estados Unidos452834107
  • União Soviética29323091
  • Japão117725
  • Hungria10101232
  • Alemanha99725
  • 35ºBrasil0123

A altitude da Cidade do México deu a tônica da Olimpíada de 1968. O ar rarefeito favoreceu um festival de recordes nas provas de curta distância, mas por outro lado prejudicou o desempenho dos atletas de modalidades que requerem resistência física.

De qualquer forma, a competição no México entrou para a história como uma edição única, com peculiaridades que só vão se repetir caso outra cidade com grande altitude seja escolhida como sede. Desde então, nenhuma outra vez uma Olimpíada foi disputada numa altura que interfira significavelmente nos resultados.

Maior prova da influência da altitude veio no salto em distância. O norte-americano Bob Beaman saltou 8m90, 53cm a mais do que o recorde mundial da época. A marca persistiu como a melhor do mundo até 1991, quando Mike Powell registrou um salto de 8m95.

Já nos 100m, pela primeira vez a marca de 10s foi superada graças ao norte-americano Jin Hines, que cravou 9,90m.

O nadador Mark Spitz, que viraria mito na edição seguinte, também fez sua primeira aparição na Cidade do México. Com duas medalhas de ouro, deu o primeiro sinal de que não era um competidor comum.

Porém, a Olimpíada de 1968 foi marcada por episódios que mancharam a sua história. Quando faltavam 10 dias para o início, uma manifestação contra o governo foi reprimida com violência pela polícia mexicana e dezenas de atletas foram mortos, aumentando a tensão para uma edição disputada num dos momentos mais turbulentos do mundo.

Os norte-americanos Tommy Smith e John Carlos, por exemplo, foram expulsos da delegação após subirem ao pódio nos 200m. Durante a comemoração, eles colocaram uma luva preta e levantaram o braço com o pulso cerrado, num claro apoio aos movimentos negros dos Estados Unidos que combatiam a segregação racial.

Ainda na Cidade do México, pela primeira vez um atleta foi suspenso por uso de drogas. O sueco Hans Gunnar Liljenwall, que disputava a prova de pentatlo moderno, testou positivo para excesso de álcool e teve de deixar a competição. Testes de feminilidade também foram realizados pela primeira vez.

Outra imagem que será lembrada eternamente é a protagonizada pelo maratonista John Akhwary. O atleta da Tanzânia foi o último a completar a prova e impressionou por ter ultrapassado a linha de chegada com a perna enfaixada e o joelho deslocado. Ele justificou a superação dizendo que estava preparado apenas para terminar a maratona.

Por pouco: Nelson Prudêncio teve o melhor desempenho do Brasil. O brasileiro chegou a quebrar o recorde mundial do salto triplo com 17,27m, mas terminou com a prata, já que o soviético Viktor Saneyev, no salto seguinte, obteve a marca de 17,39m.

Outros dois bronzes foram trazidos por atletas brasileiros. No boxe, Servílio de Oliveira ficou com a terceira colocação no peso mosca. Já no iatismo, Reinald Conrad e Bukhard Cordes garantiram a mesma posição na classe flying dutchmann.

Entre as mulheres, destaque para Aída dos Santos, que superou o recorde sul-americano do pentatlo com 4578 pontos, mas ficou apenas na 20ª colocação. Já Maria da Conceição Cypriano chegou a alcançar 1,74m no salto em altura nas provas de classificação, mas fez apenas 1,71m na final e finalizou no 11º lugar.

Redação Terra