O boicote de 28 países sem tradição olímpica na Olimpíada de Montreal (1976) serviu de prenúncio para o período político mais turbulento da história dos Jogos. Nas edições seguintes, Estados Unidos e União Soviética lideraram boicotes que enfraqueceram as edições de Moscou (1980) e Los Angeles (1984).
Em Montreal, 26 países africanos, o Iraque e a Guiana abandonaram a Olimpíada em protesto à não punição da Nova Zelândia pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). As nações reclamavam da viagem da seleção neozelandesa de rúgbi para um amistoso contra a África do Sul, suspensa de todas as competições esportivas em razão do apartheid.
Fora isso, a edição foi um fracasso de público e rentabilidade. O Canadá não economizou dinheiro na organização, considerada a mais cara da história, e amargou um prejuízo que demorou anos para ser quitado.
Nada disso, porém, tirou o brilho da romena Nadia Comaneci. Naquela que é conhecida como a sua Olimpíada, a ginasta de apenas 14 anos encantou o mundo e garantiu o primeiro 10 da história da ginástica artística. E ela na parou por aí. Conquistou mais seis notas máximas e ficou com três ouros.
A ginástica ainda evidenciou outras duas estrelas em Montreal. A soviética Nelly Kim rivalizou com Nadia e garantiu três ouros, apesar de não ter obtido nenhum 10. Já o japonês Shun Fujimoto ganhou uma nota 9,7 mesmo com o joelho quebrado e deu o ouro por equipes ao Japão.
Na natação, a alemã Kornelia Ender centralizou as atenções. Com quatro medalhas de ouro e uma de prata, a jovem de 17 anos virou a mulher com mais vitórias numa edição de Olimpíada. Quatro anos antes, ela já assombrara a todos com três pratas em Munique, fora os 23 recordes mundiais marcados no período entre as edições.
O boxe também mereceu um olhar especial em Montreal. A seleção norte-americana tinha entre seus participantes Sugar Ray Leonard, Leon Spinks, Michael Spinks e Leo Randolph, todos campeões mundiais após a profissionalização. Já Clarence Hill, com um bronze, garantiu a medalha de bronze para Bermuda, que tinha na época apenas 53 mil habitantes na época.
Brasil: A delegação brasileira voltou com apenas duas medalhas de bronze de Montreal, desempenho bem abaixo do esparado. A primeira foi conquistada pela dupla de velejadores Reinaldo Conrad e Peter Ficker, na classe flying dutchmann. João do Pulo ficou com o outro bronze no salto triplo.
Redação Terra