Pela primeira vez, o Comitê Olímpico Internacional (COI) permitiu a utilização de atletas profissionais em todas as modalidades que seriam disputadas na Olimpíada de Barcelona (1992). E esta nova era dos Jogos teve como principal símbolo a seleção norte-americana de basquete masculino.
Formada por astros da NBA como Larry Bird, Michael Jordan e Magic Johnson, a equipe recebeu o apelido de Dream Team (Time dos Sonhos) e é considerada até hoje a melhor seleção de basquete já formada. Como previsto, os norte-americanos atropelaram os adversários e foram campeões sem levar sustos.
Porém, no quadro geral de medalhas, os Estados Unidos decepcionaram e ficaram atrás da Comunidade dos Estados Independentes (CEI), alternativa encontrada pelo COI para agrupar os países da ex-União Soviética, que vivia período de desmembramento. Os ex-soviéticos ficaram com 45 ouros, oito a mais do que os norte-americanos.
As exceções na formação da CEI foram as repúblicas bálticas da Estônia, Letônia e Lituânia. Os ex-países soviéticos disputaram a competição como nações independentes, o que não acontecia desde 1936. A África do Sul, com o fim do apartheid, também voltou às Olimpíadas e a Alemanha competiu como uma só nação em decorrência da integração das regiões ocidental e oriental.
Outra novidade da edição de Barcelona foi a ausência da Iugoslávia, punida em razão de agressões militares aos povos vizinhos. Croácia, Eslovênia e Bósnia-Hezergovina, já independentes na época, participaram como nações independentes, enquanto os demais atletas iuguslavos competiram individualmente, sem defender a bandeira do país.
Individualmente, o melhor desempenho foi o do ginasta russo Vitaly Scherbo, que ganhou seis medalhas de ouro, sendo cinco delas em categorias individuais. O norte-americano Carl Lewis, por sua vez, adicionou um capítulo na sua história ao vencer as provas de salto em distância e 4x100m.
O principal feito, no entanto, coube à etíope Derartu Tulo. Ao vencer a prova dos 10000m, a atleta tornou-se a primeira africana negra a conquistar um ouro olímpico. E num gesto nobre da segunda colocada, a sul-africana Elana Meyer, ambas deram a volta olímpica de mãos dadas, simbolizando a integração racial na África.
Histórico: O Brasil conquistou em Barcelona sua primeira medalha de ouro em esportes coletivos. Coube à seleção masculina de vôlei acabar com o fim do tabu numa campanha que empolgou a torcida e fez o esporte ganhar uma popularidade jamais vista antes no país.
Formada por jogadores carismáticos como Tande, Giovane, Maurício e Marcelo Negrão, a seleção fez uma campanha impecável, sem nenhuma derrota, até arrasar a Holanda na final por 3 a 0.
O Brasil ainda garantiu outro ouro no judô, com o meio-leve Rogério Sampaio. Completando o quadro de medalhas, o País ainda comemorou a prata de Gustavo Borges, obtida nos 200m. A confirmação foi cercada de emoção, já que o cronômetro da raia do brasileiro falhou e a organização teve de recorrer às imagens de televisão para anunciar o pódio.
No atletismo, o Brasil esteve perto do bronze em três bronzes. Róbson Caetano, nos 200m, Zequinha Barbosa, nos 800m, e Edielson Rocha Tenório, Sérgio Mathias F. Menezes, Eronilde Araújo e Sidney Telles de Souza, no 4x400m, finalizaram na quarta colocação, mesma posição obtida pela seleção feminina de vôlei.
Redação Terra