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Quinta, 22 de novembro de 2007, 10h18

China não aceitará incidentes durante a Olimpíada

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Rafael Poch
Direto de Pequim

A China alertou que "castigará com todo o peso da lei" as pessoas que desejem aproveitar os Jogos Olimpícos que se realizarão em sua capital em agosto de 2008 para "questionar a soberania chinesa, promover o separatismo étnico ou provocar agitação por meio de atividades terroristas".

O vice-ministro da Segurança chinês, Liu Shaowu, afirmou que "castigaremos qualquer forma de atividade que viole a Carta Olímpica, a fim de garantir a harmonia dos jogos olímpicos em nosso país".

Depois de uma primeira época em que a preocupação das autoridades se concentrava na construção da infra-estrutura e das instalações que a Olimpíada vai requerer, e em questões de organização relacionadas a promover a imagem do país, nos últimos meses as autoridades chinesas começaram a demonstrar claras preocupações de segurança, entre as quais se destaca a preocupação com a possibilidade de manifestações políticas.

Há suspeitas de que organizações não governamentais e de defesa dos direitos humanos de fora do país pretendam utilizar a Olimpíada como cenário para esse tipo de ação, aproveitando a atenção internacional que os jogos despertarão para expor a longa lista de queixas que esses grupos têm contra as autoridades chinesas.

Nos últimos meses, a China vem desenvolvendo forte atividade com o objetivo de impedir que esse cenário se concretize, já que ele poderia facilmente colidir com a imagem de modernidade que o país pretende projetar com os Jogos.

As autoridades talvez se surpreendam ao descobrir que essa imagem não tem a ver apenas com edifícios e infra-estrutura, mas também com aspectos mais sutis do funcionamento de uma sociedade, entre os quais todo um sistema de garantias e liberdades individuais que poderia facilmente desmantelar sua grande operação de relações públicas.

A política de concessão de vistos e de permissões de residência para estrangeiros foi endurecida, exatamente com o objetivo de evitar um fluxo descontrolado de ativistas.

Se até agora a atitude chinesa se caracterizava pela flexibilidade e pelo relaxamento, o momento de reforçar o controle parece ter chegado. Na prática, não foram impostas novas regras; mas as normas vigentes, que não vinham sendo aplicadas e que as pessoas costumavam ignorar, agora estão sendo observadas com mais rigor.

O departamento de vistos verifica os concedidos a visitantes estrangeiros (na forma de vistos de turismo, trabalho e diplomático), e seus prazos, em busca de irregularidades e a fim de estreitar o cerco a pessoas que possam causar tumulto na Olimpíada.

A categoria inclui jornalistas que entrem no país se sem identificar como tais. Os organizadores dos Jogos de Pequim prometeram plena liberdade de ação para os 20 mil representantes da imprensa que devem cobrir o evento, não só na cobertura dos torneios esportivos mas também para a observação da sociedade do país.

Mesmo assim, na semana passada a imprensa oficial anunciou o começo de uma campanha para identificar "jornalistas ilegais", com o objetivo de preservar "um ambiente jornalístico limpo".

O ministro responsável pela imprensa, Liu Binje, se referiu especialmente aos "jornalistas não creditados que representam veículos estrangeiros de mídia".


La Vanguardia