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Terça, 29 de abril de 2008, 08h04 Atualizada às 08h13

"Não posso ser comparado à Daiane", diz Hypólito

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Na últimas semanas, o ginasta Diego Hypólito foi questionado sobre a recente cirurgia e a contaminação pela dengue. A preocupação é de que o brasileiro esteja recuperado para os Jogos Olímpicos de Pequim. Para acabar com a incerteza, o atleta refutou a comparação com Daiane dos Santos, que sofreu uma artroscopia no joelho a dois meses dos Jogos de Atenas e amargou um quinto lugar.

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"Eu não posso ser comparado com a Daiane. Não acho justo. Não que a situação dela seja negativa, só que eu tinha operado (o pé) antes, fiquei seis meses parado e fui campeão mundial", lembrou o ginasta, referindo-se ao título de 2005. "Não tenho problema com isso (confiança). Vou correr atrás do que eu quero, ser campeão olímpico", completou Hypólito, que também poderá fazer história no individual geral.

Se depender do técnico Renato Araújo, Diego tem outra meta: ir para a final da disputa (somatório dos seis aparelhos) e garantir um lugar entre os 24 ginastas mais completos - a melhor colocação do Brasil na história dos Jogos é o 33º lugar de Mosiah Rodrigues em Atenas. "Eu gostaria muito que ele fosse para a final", disse o técnico Renato Araújo. "Essa é mais uma meta dele do que minha", contrapôs o bem-humorado Diego, que também quer ousar no solo para competir com o rival romeno Marian Dragulescu, tricampeão mundial na prova.

"Eu vi que o Marian Dragulescu está saindo de uma nota de 17 pontos. Então eu aumentei a nota de partida. Ano passado minha série saía de 16,70 pontos e agora sairá de 17,20. O objetivo é esse", explicou Diego, após treino no ginásio do Flamengo. Serão seis passadas (diagonais), antes eu fazia cinco. Você sair de mais se torna superior. As pessoas podem ficar surpresas", completou.

Enquanto Hypólito é pura ousadia, o treinador prefere a cautela. Para evitar que o pupilo "caia do cavalo", o treinador não garante que a série desejada por Diego será a executada em agosto, na Olimpíada de Pequim, competição na qual o brasileiro é um dos favoritos à medalha de ouro.

"A nota de partida vai ficar entre uma série de 16,90 pontos e outra de 17,20, que é a que ele está tentando fazer, mas não posso garantir que será essa. Vai depender se ela estiver boa, sem muito risco de erro. Eu sou mais a de 16,90, que ele faria muito bem feita e que já é três décimos a mais que a apresentada por ele no Mundial do ano passado. A outra tem que ser muito bem feita para valer a pena", explicou Renato.

A primeira competição que o ginasta disputará na temporada, a etapa de Moscou da Copa do Mundo, no fim de maio, será o grande teste para a avaliação do desempenho do atleta. Segundo o técnico, o torneio será "o termômetro" para a escolha da série olímpica. "Posso garantir que daqui a quatro semanas ele estará fazendo a série de 16,90, mas se a de 17,20 vai sair é outra coisa. Não dá para garantir. A estatística de acerto tem que ser acima de 80%. Temos que chegar a um consenso. Depois da etapa de Moscou, vou estar bem próximo de definir a série", analisou o técnico.

Nenhuma das duas apresentações possui elementos novos. Diego já conhece todos os movimentos. No entanto, a série com nota de partida mais alta exige que o ginasta esteja muito bem fisicamente e ganhe mais resistência. Com seis passadas - a maioria dos ginastas faz quatro ou cinco - a série exige que o atleta a execute mais rápido, para não estourar o tempo de 70 segundos. Além disso, ela possui mais saltos ligados, o que a torna também mais arriscada. "Eu tenho pouco tempo e quero fazer a série olímpica já em Moscou. Eu gosto dessa sensação, dessa adrenalina, de ter que treinar muito", afirmou Hypólito.

Com informações do JB Online.


Redação Terra