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Sexta, 25 de julho de 2008, 19h14 Atualizada às 20h22

Australiano veste camisa do Brasil para ajudar Cielo

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Brett Hawke observa trabalho de César Cielo na piscina
Brett Hawke observa trabalho de César Cielo na piscina
Julio Gomes Filho/Especial para Terra

Julio Gomes Filho
Direto de Macau

Camisa regata amarela do Brasil. Tatuagem de uma cruz no braço esquerdo, da Opera House de Sydney nas costas. Ele não parece técnico, mas é. Também não parece brasileiro. E, realmente, não é.

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O australiano Brett Hawke chegou nesta sexta-feira a Macau para acompanhar de perto os treinamentos de César Cielo. Os dois trabalham juntos nos Estados Unidos e se conhecem há três anos.

O velocista, que tem chances de medalhas nos 50m e 100m livre, pediu para a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos para que Hawke o acompanhasse em Pequim. Em nome do pódio, o pedido foi atendido, e o australiano passou a integrar a delegação oficial do Brasil.

"Para mim, é natural vestir essa camisa, porque as cores são as mesmas da Austrália", brincou Hawke, em conversa exclusiva com o Terra. "Estou orgulhoso e quero fazer tudo para o Brasil ter sucesso. Caras como o Thiago (Pereira) e o César (Cielo) estão ajudando a botar a natação no mapa. É muito importante ter postulantes a medalhas, o País pode olhar para esses caras como exemplos para o futuro. E espero que o Brasil seja forte no futuro."

Hawke não fala português, mas pouco a pouco vai se enturmando com os outros nadadores. Antes do treino da tarde, por exemplo, puxou conversa com a carioca Gabriela Silva.

"Ensinei coisas boas, como 'obrigado', apesar de brasileiro geralmente só ensinar palavrão. Ele até sabe alguns", brincou Cielo.

O nadador brasileiro acredita que psicologicamente a presença de seu treinador particular pode fazer "bastante diferença".

"A gente tem relação muito boa e sabe separar a parte profissional da amizade. Ele sabe as dificuldades que estou passando, já que passou faz pouco tempo. As características são muito parecidas. Às vezes eu saio bravo do treino e ele fala: 'eu fazia a mesma coisa na minha época'. Só de olhar, ele já sabe como estou me sentindo", contou Cielo.

Hawke disputou a final da prova dos 50m livre na Olimpíada de Atenas e ficou na sexta colocação. Aposentou-se e começou a carreira de técnico. Foi quando os destinos dos dois se encontraram.

"Só de ele estar aqui me olhando nadar já faz uma diferença. Se tivesse só um papel (com o programa de treinos) e outros técnicos olhando. não seria a mesma coisa. A gente criou um elo muito grande e qualquer toque faz bastante diferença", argumentou o velocista brasileiro.

"César agora está se sentindo melhor, antes ele estava nervoso porque queria estar logo com o time. Ele tem trabalhado duro, esta é uma boa hora para relaxar e acertar detalhes. Ele trabalhou duro e nadou bem durante a temporada, nadou rápido. Espero que ele nade rápido na Olimpíada também", concluiu o treinador australiano.


Redação Terra