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Quinta, 31 de julho de 2008, 11h04 Atualizada às 11h02

João Derly: "sonho com meus adversários"

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Bicampeão do mundo, João Derly é um dos favoritos a medalha de ouro em Pequim
Bicampeão do mundo, João Derly é um dos favoritos a medalha de ouro em Pequim
Renato Pazikas/Terra

Renato Pazikas
Direto de Tóquio

João Derly é o exemplo do aluno aplicado. Observa atentamente cada orientação do "professor" Antônio Carlos Pereira, seu técnico em Porto Alegre que o acompanha nos treinamentos da equipe brasileira de judô em Katsuura, cidade de 23 mil pessoas vizinha de Tóquio.

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No final de cada treino na Universidade Internacional do Judô, ele fica mais alguns minutos no tatame ao lado de Tiago Camilo, outro pupilo de Pereira no Rio Grande do Sul. Os dois são as maiores esperanças de medalha do País nos Jogos Olímpicos de Pequim.

Derly, bicampeão mundial em 2005 e 2007 e campeão pan-americano também no ano passado, pode se tornar o maior judoca do Brasil na história. O ouro na China o deixaria com marcas superiores a qualquer outro atleta da modalidade.

Para subir no degrau mais alto do pódio, o judoca trabalha cada detalhe de seus adversários. Garante que já conhece os 31 possíveis oponentes e que até sonha com eles. "Faz parte do treinamento. Sonho, luto e acordo todo contraído, parece que eu estava lutando mesmo", explica em entrevista exclusiva concedida ao Terra nesta quinta-feira.

Quem não deve sair da cabeça de Derly durante as noites no Japão é Yordanis Arencíbia. O cubano, derrotado na decisão do Mundial do Rio de Janeiro, é um dos principais adversários do brasileiro na categoria meio-leve (até 66kg).

Por coincidência, os dois estão treinando no mesmo lugar. Amigos, ainda não tiveram a oportunidade de se encontrarem antes dos Jogos. "O judô tem essa peculiaridade, geralmente os atletas se conhecem e têm amizade".

Veja a íntegra da entrevista com João Derly.

Terra - Você já foi bicampeão mundial e campeão pan-americano, mas nunca esteve em uma Olimpíada? Preparado para os Jogos?
João Derly - Estou bem preparado. Chegar na Olimpíada com a bagagem e a experiência de dois títulos mundiais é um diferencial, pode ser importante na competição. Estamos pensando só em Pequim, saindo um pouco do dia-a-dia aqui no Japão. Isso tem sido muito bom.

Terra - E o fuso horário?
João Derly - É sempre complicado. A gente passa uns dias sonolentos, então eu forcei bastante pra dormir só de noite e não dormir de tarde. Agora, o sono já está encaminhando e está quase tudo regularizado.

Terra - Em algum destes momentos você sonhou com uma medalha olímpica?
João Derly - Faz parte do treinamento a gente visualizar e sonhar com o que pode acontecer. Em muitos momentos eu visualizei competindo com todos os meus adversários, as lutas com os 31 que posso ter em Pequim. Imaginei lutas difíceis, lutas fáceis, finais, semifinais. Acho que tem que ter esse treinamento na mente.

Terra - Você sonha com situações de Olimpíada, então?
João Derly - Sonho, luto e acordo todo contraído, parece que eu estava lutando mesmo. Isso faz parte de todas as competições importante que já passei.

Terra - Falta uma medalha olímpica para você?
João Derly - Estou muito bem treinado. A medalha pode vir em um grande momento, já que estou em uma das melhoras fases da minha vida. Se Deus quiser me dar essa vitória, vou entregar a ele e vou dedicar esta vitória a ele.

Terra - Você se sente pressionado por ser considerado um dos favoritos?
João Derly - Não vejo como pressão e sim como torcida. Acho que as pessoas estão vendo meu potencial e acreditam na minha pessoa, por isso tenho que fazer o meu melhor lá.

Terra - É o melhor momento do judô brasileiro?
João Derly - É um dos melhores momentos, estamos em uma crescente de um trabalho de anos. Nossos atletas do passado lutaram tanto para conquistar algumas coisas e agora estamos colhendo os frutos e isso deve acontecer com a próxima geração. Espero que no futuro venham outros atletas e outras seleções iguais a essa, com potencial grande e chances de medalha em todos os pesos.

Terra - O que você imagina ver fora do tatame em Pequim?
João Derly - A gente sempre fica pensando no que fazer lá, mas na verdade estou tão focado na competição que não penso em nada disso. Depois, vou ver se encontro alguém, se tiro foto com alguém. O momento agora é de pensar na competição e fazer um bom trabalho.

Terra - O maior perigo na China vem de Cuba?
João Derly - Pode ser de Cuba, mas quando falamos em Olimpíada não podemos falar apenas de um perigo, porque diversos atletas têm chances de disputar a medalha. Sem dúvida, no meu peso Cuba será um dos grandes adversários.

Terra - Ele (Yordanis Arencíbia) está treinando aqui do lado. Você o encontrou algum dia?
João Derly - Somos grandes amigos, o judô tem essa peculiaridade, geralmente os atletas se conhecem e tem amizade, mas ainda não conseguimos nos encontrar.

Olimpíada no Terra: ao vivo e exclusivo

Os Jogos de Pequim serão realizados de 6 a 24 de agosto. O Terra irá transmitir ao vivo e com exclusividade a competição em 13 canais simultâneos de vídeo. Além disso, os usuários terão a possibilidade de assistir novamente a todo o conteúdo a qualquer momento. Todo o acesso será gratuito. Os internautas terão um importante papel no site especial do Terra, que será totalmente construído a partir do conteúdo gerado pelos usuários. Na área Fanzone, o usuário poderá ser o comentarista, gravar vídeos com sua câmera e compartilhá-los com a audiência do Terra. O internauta já pode enviar vídeos, fotos e textos para os atletas e as equipes. Clique e participe. Os vídeos estarão disponíveis a partir do dia 6.


Redação Terra