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Sábado, 2 de agosto de 2008, 16h12 Atualizada às 19h21

China irrita sambistas brasileiros e censura batucada

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Dias de clausura, alimentação limitada a sanduíches e proibição de batucada dentro de um bar pela polícia chinesa. Os integrantes da velha guarda da escola de samba Vila Isabel dizem que não esperavam por isso ao serem convidados para uma nada política apresentação na sede da 29ª Olimpíada.

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Em mais um esforço pré-olímpico para promover diferentes culturas, o Ministério da Cultura chinês organizou na sexta-feira e no sábado o show "Noite Latino-americana" no Grande Salão do Povo, em Pequim, onde se reúne anualmente o Congresso Nacional do Partido Comunista. Mas, segundo os sambistas, não soube lidar com os convidados estrangeiros.

"Na quinta-feira chegamos às 9h e tivemos de esperar dez horas para ensaiar. Não podia sair. No dia seguinte foi a mesma coisa. Não aguento mais ver sanduíche e água, que foi tudo que comemos. E comemos no chão, porque não podia sair nem do camarim", declarou mestre Adilson Pereira, após o show do sábado.

"Batucar também não podia. Nem aqui nem na rua. Quando batucamos em um bar do outro lado do hotel onde ficamos veio polícia e tudo. O que a gente passou aqui não é mole", comentou outro membro da delegação da Vila Isabel.

Segundo o sambista, os policiais consideraram 1h da manhã um horário inapropriado para manifestações culturais barulhentas dentro do bar.

Uma fonte da diplomacia brasileira em Pequim afirmou que a embaixada deve divulgar uma nota oficial nos próximos dias para lamentar o tratamento dedicado aos sambistas, que seguirão no país para outras apresentações.

Além dos problemas fora do palco, os sambistas brasileiros também sofreram com o pouco tempo que tiveram para, possivelmente pela primeira vez na história, colocar quatro mulatas para dançar seminuas em um palco onde se reúnem membros do governo chinês.

Visivelmente frustrados, os membros da Vila Isabel tocaram "Kizomba" e "Aquarela Brasileira" em cinco minutos, após esperarem 1h20 ao som dos artistas de Argentina, Cuba, Colômbia, Peru e Bahamas.

Para o sonolento público chinês presente, não fez diferença quando os brasileiros entraram no palco para sua breve performance. Houve quem saísse do salão e quem se espantasse com os trajes sumários das mulatas. Uma moça colocou as duas mãos sobre a boca, em sinal de incredulidade. Um senhor preferiu ir embora e voltar apenas quando começou a apresentação dos mariachis mexicanos.

Muitos homens olharam sem demonstrar nenhum desejo, nem mesmo quando as moças desciam sensualmente até o chão. O Carnaval não é transmitido na China, por ser considerado lascivo demais. No final, aplausos não mais do que formais.

O ápice da programação oficial foi quando o grupo de mexicanos entoou a canção chinesa "Molihua". Aplausos quase delirantes.

Para os brasileiros, a recepção do público foi boa o suficiente. "É um público que mal sabe o que fazemos e que, levando isso em conta, foi muito bacana com a gente. Mas espero que tocando nos bares a gente consiga chamar a atenção um pouco mais para o samba de verdade do Brasil", disse o campeão do Carnaval do Rio de Janeiro, em 2006.

Olímpiada no Terra: ao vivo e exclusivo
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Reuters