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Sexta, 8 de agosto de 2008, 03h14 Atualizada às 03h50

Ciência tenta desvendar "truque" da virada de Phelps

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Michael Phelps emergiu meio corpo na frente de Ryan Lochte depois da virada para a última piscina dos 400 m medley nas seletivas norte-americanas para a Olimpíada de Pequim. Isso depois dos dois terem nadado cabeça-a-cabeça desde o início da prova. Phelps saiu da piscina com um recorde mundial.

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Essa performance mobilizou técnicos de natação e grupos de cientistas se atropelando para ver a virada no vídeo feito sob a água, a fim de descobrir o truque do nadador no movimento.

O que descobriram foi revelador. Em vez de empurrar a parede da piscina em um ângulo para a superfície, como Lochte fez, Phelps foi para baixo e mais fundo, fazendo a manobra de um rápido golfinho e disparando para a superfície bem adiante, enquanto Lochte ainda estava no movimento de virada.

"Phelps vem usando isso como arma", disse Russell Mark, coordenador de biomecânica da natação dos Estados Unidos, em entrevista no Cubo d'Água, em Pequim.

"A lógica diz que ele não deveria ir tão para o fundo na saída dessa virada, mas foi assim que bateu todos os rivais na última parede. Ainda não existe nada que explique cientificamente porque fazer essa trajetória é tão efetivo".

Mark, engenheiro espacial, está entre os cientistas chamados por organizações ligadas à natação de todo o mundo para examinar cada movimento da natação de forma a fazer com que cada braçada seja mais eficiente e mais rápida.

"Muito disso ainda é 'o melhor palpite'", admite Mark. "Estamos observando o que os melhores nadadores fazem e tentando descobrir coisas em comum. Cada nadador tem sua marca pessoal - seu estilo próprio, baseado na forma de seu corpo e tipo físico".

"Os australianos, os japoneses, os britânicos, todas as grandes forças da natação estão analisando essas questões de vários ângulos, para ajudar os nadadores a tirar segundos de suas equipes".

"Em Atenas, havia três países - Austrália, Estados Unidos e Grã-Bretanha - fazendo muitas filmagens", disse Bernard Savage, chefe da ciência de performance para a natação da Austrália.

"Nesta Olimpíada haverá muitos países analisando informações muito rapidamente, entre eliminatórias, semifinais e finais. Existe toda uma ciência que você pode aplicar, mas como passar isso para os nadadores, para que tornem isso um hábito, quando sob pressão, quando a fatiga está pegando, essa é a arte", afirmou o cientista.

Peter Vanderkaay, norte-americano que vai brigar por medalha nos 200 m, 400 m e 1.500 m livre, assim como no revezamento, diz que percebeu vários erros que tiravam a velocidade de suas braçadas depois de analisar os vídeos.

"Há o consenso do que é a braçada perfeita. Eles mapeiam qual posição seu corpo deve ficar para isso. Mas saber é uma coisa e treinar é outra. É fácil desenvolver hábitos ruins e difícil corrigí-los".

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Reuters