Atualizada às 23h22
Muito tem sido feito pelos programas governamentais chineses para formar atletas de elite desde a adolescência, mas a perícia no tênis de mesa vem, de longe, de forma muito mais natural para os chineses.
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O constante desfile de chineses campeões em nível mundial é uma grande fonte de orgulho nacional, e isso quase sempre acontece naturalmente.
De mesas de concreto e raquetes improvisadas nos vilarejos mais pobres ao clic-clac das bolas de tênis de mesa que são ouvidos nos pátios das escolas ao redor do país, tênis de mesa é, indiscutivelmente, "guo qiu", ou, o esporte nacional.
"Todo mundo é muito bom por aqui. Nem posso te dizer quem está em nosso time olímpico porque, para ser honesto, isso não faz a menor diferença", disse Wu Changshan, 47 anos, dono de um restaurante em Pequim.
"Todos têm grande talento nesse nível e nós vamos torcer por eles, não importa quem esteja nos representando", disse. Só para constar, Wang Hao lidera o desafio entre os homens e Zhang Yining lidera entre as mulheres nos Jogos de Pequim.
Mas o comentário de Wu ressalta o fato de que os jogadores dominam as posições principais do ranking mundial de tênis de mesa. Tal domínio não tem nada a ver com uma habilidade natural dos chineses para manejar a raquete. Mas, de fato, isso vem de longe, dos tempos da política da Guerra Fria.
Desesperada por reconhecimento depois da revolução de 1949, a China recebeu um apoio inesperado: da Federação Internacional de Tênis de Mesa. Em 1953, esta foi uma das primeiras grandes organizações esportivas do mundo a admitir o país comunista.
Quando Mao Tsé-tung declarou que a China deveria provar sua força nacional por meio do esporte, Pequim se voltou para o treinamento de jogadores de tênis de mesa, inclusive com campanhas de massa para popularizar o esporte, que não contava com muitos jogadores nas décadas anteriores.
Seis anos depois surgiu o primeiro herói nacional no esporte, quando Rong Guotuan conquistou o primeiro campeonato mundial.
"Houve um grande surto no esporte depois disso. Eu fui influenciado por Rong para pegar a raquete e jogar", disse Zhou Shusen, da seleção nacional na década de 1960.
Zhou, agora um técnico, estima que cerca de 5% da população chinesa - cerca de 70 milhões de pessoas - joga seriamente, uma base enorme para o país cultivar seus talentos.
"O tênis de mesa é parte chave da vida chinesa e se tornou, inclusive, parte de nossa cultura", disse Zhou.
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Reuters