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Sexta, 15 de agosto de 2008, 17h06 Atualizada às 17h06

Tradutora causa transtorno em entrevista de Marta

Intérprete fez traduções erradas nas entrevistas de Marta
Intérprete fez traduções erradas nas entrevistas de Marta
Reuters

Celso Paiva
Direto de Tianjin

Uma tradutora roubou a cena na entrevista concedida pela meia-atacante Marta após a vitória do Brasil sobre a Noruega, por 2 a 1, nesta sexta-feira, em Tianjin. Na teoria, a intérprete estava presente na conferência de imprensa para traduzir as indagações dos jornalistas e a resposta da jogadora em português para o chinês, porém na prática o que se viu foi uma sessão de erros que deixou até a atleta meio constrangida.

Na primeira pergunta feita, um repórter questionou se Marta acreditava que estava sendo muito visada pelas defensoras rivais pelo fato de ser eleita a melhor jogadora do mundo pela Fifa por duas vezes. A atacante respondeu de forma bem clara e totalmente compreensível para os jornalistas brasileiros e para quem entende a língua portuguesa.

"A marcação está mesmo mais forte em mim. Quando alguém se destaca é normal que seja mais visada. Mas vejo o lado bom nisso. Com mais marcação em cima de mim, as outras jogadoras da Seleção ficam livres para chegar bem e marcar gols".

Na hora de passar a afirmação do português para o chinês e do chinês para o inglês, em uma espécie de "telefone sem-fio" veio a surpresa. Os intérpretes responsáveis pela conferência falaram uma resposta totalmente diferente do que havia sido dito pela jogadora.

"Eu não acho que sou a melhor atacante do mundo. Estou aqui apenas para fazer meu trabalho e ajudar meu time. Sem o suporte das minhas colegas de equipe eu nunca conseguiria marcar qualquer gol e portanto não tem razão para dizer que sou a melhor atacante do mundo", traduziram os dois intérpretes para total estranhamento de Marta, que compreende um pouco de inglês.

Na pergunta seguinte, a questão foi sobre a Alemanha, próxima adversária do Brasil nos Jogos Olímpicos. Marta respondeu que considerava o jogo muito difícil, mas que na última partida entre os dois times, na primeira fase da competição, a equipe já mostrou que pode jogar de igual para igual com as européias.

A tradução mais uma vez trouxe afirmações que a jogadora não fez. "Será um jogo muito difícil. A equipe alemã é melhor fisicamente que a nossa, mas podemos vencê-las". A resposta mais uma vez causou estranheza para a jogadora.

Com um ar de constrangimento, a intérprete passou a não traduzir mais as perguntas feitas pelos jornalistas brasileiros e nem as respostas da atacante. O fato causou irritação nos membros da imprensa estrangeira presentes, que passaram a gritar: "tradução, tradução".

Para evitar uma situação ainda mais chata, o mestre de cerimônias encerrou a conferência de imprensa após alguns minutos. O clima era de total descontentamento com o que havia acontecido.

O estrago feito pela tradutora não ficou apenas dentro do Tianjin Olympic Center Stadium. Horas depois da partida, o site da Fifa, entidade máxima do futebol, publicou a declaração da atleta dizendo que não se considerava a melhor atacante do mundo com base no que foi dito pelos intérpretes.

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Redação Terra