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Pequim 2008

Sábado, 16 de agosto de 2008, 16h29 Atualizada às 16h46

Thiago Pereira diz que medalha tira pressão e pede mais estrutura

Thiago Pereira demonstra alegria pelos êxitos de Cielo
Thiago Pereira demonstra alegria pelos êxitos de Cielo
COB/Divulgação

Julio Gomes Filho
Direto de Pequim

Depois do sucesso absoluto nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro 2007, Thiago Pereira virou o centro das atenções da natação brasileira. Em Pequim, um ano depois, uma medalha de ouro e outra de bronze transformam César Cielo no grande nome da modalidade. Não só do presente, mas da história. Nunca nenhum nadador do Brasil havia subido ao lugar mais alto do pódio olímpico.

O carioca não mostra inveja, mas alegria pelo amigo, misturada pela preocupação com o esporte que ele pratica. Cielo não treina no Brasil. Ele paga as próprias contas e mora nos Estados Unidos, decidiu investir e caminhar pelas próprias pernas rumo ao ouro. Um sinal, diz Pereira, de que as coisas podem estar erradas no País.

"Não adianta querer fazer as coisas só no ano da Olimpíada, chegar seis meses antes da Olimpíada, virar e perguntar para você: 'o que você precisa?'. Essa medalha vai mostrar um pouquinho que precisa valorizar um pouco mais o esporte dentro do Brasil e precisa de mais estrutura", fala Pereira.

Ele quer mais investimentos durante o ciclo olímpico 2012, que já começa agora. E mais competições fora do País.

O Terra conversou com exclusividade com o nadador dentro do Cubo D'Água, minutos depois do hino nacional ter sido tocado em Pequim pela primeira vez nestes Jogos. Leia a entrevista na íntegra.

Terra - Essa medalha do Cielo deve dar um ânimo para todo mundo, né?
Thiago -
Com certeza. Ele está de parabéns, foi uma prova brilhante. O pessoal ali se emocionou, a gente quebrou um pouco as regras naquela volta olímpica. É uma medalha histórica da natação, primeira medalha de ouro, com certeza vai ajudar muito a natação mais para frente, para esses próximos quatro anos, para próxima Olimpíada. Vai ter muito o que evoluir aí.

Terra - O César é justamente diferente por treinar nos EUA e ter o técnico dele. Você acha que o resultado pode ajudar os outros nadadores ou mostra que o caminho é outro?
Thiago -
Mostra um pouco que não adianta querer fazer as coisas só no ano da Olimpíada, chegar seis meses antes da Olimpíada, virar e perguntar para você: 'o que você precisa?'. O César está nos Estados Unidos há um tempo, vem se preparando para isso há algum tempo, então essa medalha vai mostrar um pouquinho que precisa valorizar um pouco mais o esporte dentro do Brasil e precisa de mais estrutura. O que eu mais sinto falta, eu e os outros nadadores, é de competitividade. É o que a gente não tem. A gente tem só uma ou duas competições no ano, falta viajar e competir mais com o pessoal de fora.

Terra - Ou seja, só depois do Pan, das medalhas, que o pessoal lembrou que tinha Pequim? O ciclo olímpico começou tarde?
Thiago -
É, o ciclo olímpico começa agora, né. Claro que agora todo mundo dá aquele break, depois de quatro anos, todo mundo dá aquela parada. Mas a partir de janeiro já começa o outro ciclo olímpico para daqui a quatro anos.

Terra - A medalha tira um pouco o peso das tuas costas? Você era o nadador mais famoso do Brasil, o César estava mais escondido. Tira um pouco da pressão para o futuro?
Thiago -
Tira um pouquinho. Mas a pressão, com o tempo tem que aprender a conviver com isso. Você começa a aparecer mais, ficar mais visado, vem uma pressão muito grande, muita gente olhando qualquer coisa que você faça. Faz parte, tem que aprender a conviver com isso no dia-a-dia.

Terra - Em Macau eu te perguntei sobre o futuro depois de Pequim e você me disse que dependeria do resultado. E agora, já pensou no futuro pós-Pequim?
Thiago -
Já, com certeza. Vai ser começar a treinar para 2012.

Terra - Mais quatro anos de sacrifício?
Thiago -
Mais quatro anos, com certeza.

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Redação Terra