Atualizada às 15h18
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| Diego Hypólito lementa ausência no pódio de Pequim |
| AP |
Antonio PradaDireto de Pequim
Cabeça baixa e choro compulsivo. Poucos minutos após o término de sua decepcionante apresentação na final olímpica do solo, o ginasta Diego Hypólito mal consegue se segurar de pé. Passa aos prantos pelo corredor da imprensa, se desculpando. Vai para o vestiário. Aos prantos. Minutos depois, ainda com os olhos marejados, sobe para a arquibancada do ginásio abraçado com a irmã, a também ginasta Daniele Hypólito. Senta-se, cabisbaixo, em meio a atletas brasileiros e de outros países, mas não fala com ninguém. Abre um pequeno livro e começa a ler trechos da bíblia, ignorando tudo o que acontece ao redor. O brasileiro sente toda a dor de ter cometido o maior erro da sua carreira.
Uma amiga começa a conversar com Diego. E ele, de novo, desaba a chorar. De forma compulsiva. O treinador Renato Araújo, de pé em uma das saídas da arquibancada, resolve tirar Diego do local. Diego levanta-se, cambaleante, vai até o hall de saída ao encontro do treinador, amparado pela irmã Daniele.
"Você não vai esquecer isso nunca. É uma cicatriz que está dentro de você e você vai ter que aprender a conviver com ela", diz o técnico, com uma das mãos no rosto de Diego e a outra no ombro.
Diego sequer consegue encarar o treinador. Tem o olhar perdido. A ginasta Daniele Hypólito acompanha de perto a dor do irmão. Emocionada. Os dois escutam a tentativa desesperada e inútil, pelo menos naquele momento, de consolar o atleta.
"Você vai ter que responder sempre às mesmas perguntas para o resto da sua vida. Você tem de enfrentar isso. O que tinha que ser foi", completa Renato, que cumpre seu papel apesar de sentir a mesma decepção de ver quatro anos de trabalho encerrados em um tombo.
Diego Hypólito era até a noite deste domingo (horário de Pequim) o nome da vez no aparelho solo da ginástica artística. Dominou o cenário, conquistou dois títulos e um vice-mundial. Inventou um movimento, hoje registrado com seu nome.
O brasileiro avançou para a final da disputa em Pequim com a melhor nota. Todos os holofotes estavam voltados para ele. Era a maior certeza da segunda medalha de ouro do Brasil em Pequim - a primeira foi do nadador César Cielo.
Tudo acabado no último movimento. O ginasta brasileiro fazia uma apresentação digna de um campeão olímpico até a hora da aterrissagem em seu último salto. Perdeu equilíbrio, não conseguiu sustentar o peso do corpo e caiu sentado. Olhos arregalados e boca aberta antes mesmo de tocar o solo.
Até os árbitros fizeram cara de espanto. Um deles escancarou a boca, como se tivesse um grito embargado. "Não sei o que aconteceu. Estava tudo certo. Nunca imaginei que isso pudesse acontecer. É um movimento que eu venho fazendo há anos e nunca errei", lamentou o atleta ainda desorientado após a apresentação.
A dura realidade tirou o brasileiro de órbita. Ele precisou ser conduzido pelo treinador até a porta de saída. De lá até o ônibus, antes mesmo do final das apresentações na arena. Como resumiu o próprio treinador do atleta: "o mundo caiu".
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Redação Terra