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Pequim 2008

Quarta, 20 de agosto de 2008, 02h29 Atualizada às 04h36

"Brasil não respeita sua história", diz Mascherano

Lucas comete falta em Mascherano antes de receber o cartão vermelho
Lucas comete falta em Mascherano antes de receber o cartão vermelho
AP

Fabián Tetelboim
Direto de Pequim

O hotel Park Plaza Wangfujing está tranqüilo. A noite de festa e celebração terminou tarde. Hoje muitos ainda dormem, outros vagam pelo lobby e alguns levantaram cedo para passear pelas proximidades. A seleção argentina vive o dia seguinte à sua melhor atuação nos Jogos Olímpicos.

O time de Batista venceu o Brasil por 3 a 0 e passou à final dos Jogos de Pequim. Neste sábado, à 1h (de Brasília), jogará contra a Nigéria, no Ninho de Pássaro, onde se esperam mais de 90 mil espectadores.

Javier Mascherano desce até a recepção, concede um par de autógrafos e, com cara de sono, senta no bar para repassar algumas imagens da partida. "Acho que se falou muito antes, mas nos mentalizamos para esquecer as palavras e demonstrar dentro de campo o que éramos capazes", começa a dizer.

Mascherano jogou no Corinthians durante um ano e foi campeão brasileiro ao lado de Carlos Tevez. Em seguida, deixou o clube de maneira conturbada. De qualquer forma, é uma voz autorizada para falar da seleção verde-amarela, e o faz sem papas na língua:

Terra - Você ficou surpreso com o baixo rendimento do Brasil?
Mascherano -
O Brasil vem sendo isso. O bom é que nós dissemos isso antes da partida. Tínhamos claro que o plantel deles era limitado, bastante defensivo. E ontem foi possível notar que estávamos certos, que vemos bem o futebol.

Terra - Em alguns momentos, pareceu que uma equipe respeitava sua história e a outra não...
Mascherano -
Sim, é isso mesmo. Mas o Brasil já faz um tempo que não vem respeitando muito sua história. De qualquer forma, não nos interessa falar tanto deles, temos que falar mais da Argentina e do que pode acontecer.

Terra - Perto do final, pegaram você muito duro.
Mascherano -
Sim, sabemos como eles são quando estão perdendo, sempre aparece a perna forte, a patada. Mas já passou, obviamente ninguém gosta de perder, te dá impotência e isso te leva a bater.

Terra - Por que ganharam assim de forma tão simples?
Mascherano -
Era uma partida fechada, sabíamos que o Brasil não daria nada de presente, mas quando você abre o placar, tudo fica mais fácil depois. Por sorte, nós fizemos o gol e isso obrigou eles a saírem mais e deixar espaços.

A conversa com Javier continua. O volante titular do time sub-23 e do grupo principal faz referência à cota de sorte que toda equipe deve ter. "Ontem o fator sorte esteve do nosso lado. Se eles fizessem o gol primeiro, talvez nós perdêssemos por 3 a 0", admite.

"Agora nos falta um passinho a mais, a Nigéria. Não devemos subestimá-los e de nada servirá essa vitória diante do Brasil se desperdiçarmos todo o trabalho perdendo a final", conclui o volante do Liverpool.

O dia em Pequim é nublado, os jogadores descansaram pela manhã e à tarde apenas farão exercícios regenerativos, talvez no ginásio do próprio hotel ou em algum outro próximo.

Muitos queriam conhecer a Muralha de China, mas a comissão técnica decidiu que é melhor não sair. "A idéia é desfrutar o momento, não deixá-lo passar. Para pensar na Nigéria, teremos tempo", dizia o próprio técnico Sergio Batista ainda no Estádio dos Trabalhadores.

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Redação Terra