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Pequim 2008

Domingo, 24 de agosto de 2008, 11h23 Atualizada às 12h05

Mesmo com tropeços, saldo no vôlei de praia é positivo

Fábio e Márcio choram após receber a prata no pódio
Fábio e Márcio choram após receber a prata no pódio
Marcelo Pereira/Terra

Direto de Pequim

Desde que foi incluído no programa oficial dos Jogos Olímpicos, em Atlanta 1996, o vôlei de praia é fonte certa de medalhas para o Brasil. Em Pequim, foram duas. Esperava-se o ouro, mas a modalidade confirmou os Estados Unidos como potência e as duplas masculinas brasileiras tiveram que se contentar com os lugares mais baixos do pódio. Menos mal.

Primeira dupla masculina de vôlei de praia do Brasil a conquistar uma medalha de ouro olímpica, Ricardo e Emanuel eram favoritos a manter o ouro de Atenas 2004. No entanto, o time viu o crescimento dos últimos quatro anos, coroados com conquistas como o Pan-Americano do Rio de Janeiro 2007 e o Grand Slam da Alemanha desta temporada, acabar diante de uma surpresa verde-amarela: Márcio/Fábio Luiz.

Até então invicta na disputa, com apenas um set perdido, a dupla Ricardo/Emanuel precisava lutar contra o favoritismo na semifinal. Os conterrâneos surpreenderam. Márcio/Fábio Luiz conseguiu a vaga para a fase final no sufoco, na última partida, graças a uma derrota na segunda rodada para os austríacos Doppler e Gartmayer pelo Grupo D.

No mata-mata, entretanto, o crescimento foi visível. Sem perder um set, a facilidade diante dos rivais era evidente. E o teste final, contra Ricardo/Emanuel, comprovou a boa fase dos então coadjuvantes: vitória por 2 sets a 0, parciais de 22/20 e 21/18, em uma das melhores partidas da Olimpíada.

O duelo semifinal, se por um lado teve sabor amargo por colocar frente à frente as duplas do País, por outro mostrou que o Brasil segue entre os líderes da modalidade. Na outra semifinal, os brasileiros naturalizados georgianos Jorge e Renatão, com o nome de Geor/Gia, poderiam garantir o feito de ter três duplas da mesma origem no pódio, mas caíram para os norte-americanos Todd Rogers e Phil Dalhausser.

O Brasil também era o único País a ameaçar a hegemonia dos EUA, com o ouro de Ricardo/Emanuel, mas a Arena de Chaoyang viu outra festa dos norte-americanos na decisão. Márcio e Fábio Luiz começaram bem, chegaram a ganhar um set, mas acabaram dando adeus ao título com a derrota por 2 a 1, parciais de 23/21, 17/21 e 15/4.

Fica como positivo o fato de o Brasil igualar o feito dos próprios norte-americanos e colocar duas duplas no pódio com a vitória de Ricardo/Emanuel sobre Geor/Gia na disputa do bronze por 2 sets a 0, parciais de 21/15 e 21/10. Desde Atlanta 1996, justamente na estréia, quando os EUA levaram o ouro e a prata, um país não conquistava duas medalhas no torneio masculino.

O vôlei de praia deixa a Olimpíada da capital chinesa com uma certeza: a consolidação do Brasil como um dos líderes da modalidade, e algumas dúvidas, principalmente no que se diz respeito à continuação das duplas medalhistas. Ricardo/Emanuel parece menos propícia a uma separação e Ricardo já faz planos para Londres 2012. O paranaense, 35 anos, é o único atleta com três medalhas olímpicas no currículo.

Enquanto isso, os vice-campeões olímpicos têm planos diferentes quando a mais um ciclo. Márcio, 34, quer traçar planos antes de iniciar mais quatro anos de preparação. Fábio Luiz, 29, vê a situação por outro lado, pensando nos Jogos da Inglaterra. "Sou novo, carrego ele nas costas. Ele não precisa fazer muita coisa não, treino por mim e por ele", definiu.

Em uma modalidade cujo pódio jamais foi repetido na história, com quatro campeões diferentes em quatro edições, fica difícil traçar planos. Tudo pode acontecer.

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Redação Terra