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Pequim 2008

Domingo, 24 de agosto de 2008, 12h18

Com choro e sem medalhas, ginastas do Brasil se despedem de Pequim

Hypólito lamenta queda durante apresentação
Hypólito lamenta queda durante apresentação
Marcelo Pereira/Terra

Direto de Pequim

Os muitos saltos com piruetas e cambalhotas da ginástica artística brasileira nos Jogos Olímpicos de Pequim ficaram escondidos atrás das lágrimas dos atletas da modalidade do País. Lágrimas de tristeza e decepção, como as de Diego Hypólito, e lágrimas de felicidade e emoção, como as de Jade Barbosa e de todas as meninas da equipe nacional.

De volta ao Brasil sem nenhuma medalha, os ginastas admitiram que esperavam retornar ao País com pelo menos um bronze pendurado no peito, mas isso terá que ficar para Londres 2012, daqui quatro anos.

Campeão mundial em 2005 e 2007 e vice em 2006, Diego Hypólito subiu no tablado da capital chinesa como principal favorito ao triunfo dourado no solo e, como era de se esperar, garantiu a melhor nota das eliminatórias e se classificou para a final em primeiro lugar, cravando 15,950.

A final viria oito dias depois. E mais uma vez todos os holofotes estavam no brasileiro. Primeiro subiu ao tablado de Pequim o russo Anton Golotsutskov. Logo em seguida, o maior rival de Hypólito: o romeno Marian Dragulescu. O ginasta iniciou sua série e, para alegria prematura de Diego, o atleta errou e caiu em um de seus saltos. As portas estavam abertas para Hypólito, o terceiro a se apresentar na decisão.

A série ocorria perfeita, sem erros, até que, no último movimento, Diego não conseguiu alcançar a altura necessária e também caiu no chão. O Estádio Nacional Indoor inteiro, inclusive juízes, ginastas e, é claro, o próprio Hypólito não acreditavam o que havia ocorrido. O sonho do ouro que parecia certo ia por água abaixo. O brasileiro levantou e, já com cara de choro, foi em direção ao técnico Renato Araújo e desabou aos prantos. Um sexto lugar e o primeiro choro da ginástica do dia.

Mas o Estádio Nacional Indoor de Pequim não foi palco somente de lágrimas de tristeza por parte dos ginastas brasileiros. A equipe feminina, comandada pelo técnico Oleg Ostapenko, conseguiu a inédita vaga para as finais da Olimpíada e, depois de um abraço entre as seis meninas do time, mais uma vez o choro. Desta vez de felicidade.

Ana Silva, Daiane dos Santos, Daniele Hypólito, Ethiene Franco, Jade Barbosa e Laís Souza escreveram seus nomes na história da ginástica brasileira e disputaram um lugar no pódio de Pequim. No entanto, chinesas, norte-americanas, romenas e russas não deram chances às brasileiras e a equipe do País amargou a última colocação.

Jade Barbosa

Outra favorita ao pódio nos Jogos de Pequim, Jade conseguiu se classificar para duas finais: salto e individual geral. A brasileira sabia que uma medalha seria difícil e, no individual, a atleta superou as expectativas e hoje é a décima melhor ginasta do mundo, somando 59,550 pontos em todos os aparelhos.

Após mais choro e suor, outra final para Jade. Desta vez, no solo, sua especialidade. A ginasta saltou duas vezes para se tornar a sétima melhor ginasta no aparelho.

Daiane dos Santos

Veterana e também a única a não chorar, pelo menos na frente das câmeras, Daiane dos Santos não chegou a Pequim com esperança de pódio. Mas logo foi tomando seu espaço e garantindo uma vaga na final do solo, sua especialidade.

No entanto, o filme da Olimpíada de Atenas 2004 passou pela cabeça de todos quando a ginasta errou sua série em dois momentos. Daiane pisou fora da área demarcada e ficou ausente de mais um pódio olímpico. Além disso, logo depois da prova, a brasileira deixou bem claro que não voltará a competir em um tablado olímpico.

Domínio

Sem medalhas para o Brasil, a grande nação que se destacou em Pequim foi a própria dona da casa. Quatro anos depois de deixar Atenas com um solitário ouro, a China aprendeu com os erros e agora passou sobre os adversários como um rolo compressor.

Foram nada menos que nove títulos, incluindo os dois por equipes no feminino e no masculino.

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Redação Terra