Pequim
 
Brasil
 

Pequim 2008

Domingo, 24 de agosto de 2008, 12h46 Atualizada às 12h45

Brasil chega perto, mas tabu no boxe continua

Washington perdeu para irlandês e manteve tabu nos ringues
Washington perdeu para irlandês e manteve tabu nos ringues
Reuters

Direto de Pequim

Um tabu de 40 anos. É esse o fardo que o boxe brasileiro carrega desde a última medalha conquistada na modalidade em uma Olimpíada, um bronze ganho pelo pugilista Servílio de Oliveira na categoria peso mosca (até 48 kg) na Cidade do México 1968. Nos Jogos de Pequim, a marca esteve perto de ser igualada com Paulo Carvalho e Washington Silva, mas ainda não foi desta vez que o País voltou ao pódio.

A começar por Carvalho. Da mesma categoria que o ídolo Servílio, o baiano, 22 anos, passou pelo marroquino Redouane Bouchtouk e o ganês Manyo Plange para sofrer uma verdadeira "surra" do cubano Yampier Hernandez: 21 pontos a 6 para o rival no placar final.

Carvalho representa bem as dificuldades pelos quais passam os pugilistas olímpicos brasileiros: é faxineiro em São Paulo e chama a atenção com seus três dentes de ouro, um dos quais "presente próprio" pela classificação para Pequim.

Em uma competição marcada por reclamações e questionamentos aos métodos da arbitragem, os dois brasileiros caíram nas quartas-de-final e deixaram a capital chinesa sem nenhuma medalha, visto que não há disputa de terceiro lugar na Olimpíada.

As esperanças brasileiras ficaram reservadas para Washington, 30 anos, na categoria meio-pesado (até 81 kg). Paulista de Diadema, ele foi segurança e gandula do Corinthians e resolveu levar a carreira a sério após ser campeão da Forja dos Campeões, tradicional competição de amadores realizada em São Paulo, em 2001.

Seu nome era uma "zebra", se levado em conta o desempenho no Pan-Americano do Rio de Janeiro, quando caiu na primeira rodada. Entretanto, começou bem, derrotando o haitiano Azea Augustama por 6 pontos a 2. Nas oitavas-de-final, enfrentou o ganês Bastie Samir e venceu apertado, por 9 a 7. A ansiedade tomou conta na luta final, quando não foi páreo para o irlandês Kenny Egan, perdendo por 8 a 0.

Mesmo assim sua presença nas quartas-de-final trouxe de volta as atenções do Brasil para os ringues. Desde que Servílio conquistara o bronze, o investimento e a popularidade do boxe só caíram no País, prejudicando a formação de novos talentos olímpicos.

O drama é grande. Washington diz ter lutado com uma contusão no joelho esquerdo e fala abertamente em encerrar a carreira com mais uma derrota. "O adversário era forte, canhoto e se movimentou muito. O meu problema no joelho dificultou a luta. Tinha que jogar o corpo para frente para poder golpear, porque não conseguia dar um passo adiante. Queria ter saído daqui com uma medalha, mas honrei o trabalho de quatro anos. Estes foram meus últimos Jogos", definiu.

Mesmo assim, o ex-segurança e gandula do Corinthians mostra otimismo na quebra do tabu em Londres 2012. A realidade vista no Ginásio dos Trabalhadores, contudo, faz acreditar o contrário.

O único momento de alento veio na categoria mosca (até 51 kg) com a vitória solitária de Robenílson Vieira na primeira rodada, sobre Bandara Anuruddha, atleta do Sri Lanka, por 13 pontos a 3. Nas oitavas, contudo, sofreu uma derrota para Anvar Yunusov, do Turcomenistão, por 12 a 6.

No restante das categorias, houve tropeços na primeira rodada que mostraram o despreparo da modalidade. Na categoria até 64 kg (meio-médio ligeiro), o experiente Myke Carvalho perdeu para Richarno Colin, das Ilhas Maurício, por 15 a 11.

No peso leve (até 60 kg), Éverton Lopes caiu para Asylbek Talasbaev, do Quirguistão, por 9 a 7, em luta acirrada. Róbson Conceição, por outro lado, levou 12 a 4 do chinês Yang Li e foi eliminado mais cedo do peso pena (até 57 kg).

Os Jogos Olímpicos no celular
wap:
wap.terra.com.br
Iphone, blackberry e N95: www.terra.com.br/jogosolimpicos


Redação Terra