Atualizada às 09h29
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| Maurren Maggi carregou bandeira brasileira no encerramento dos Jogos |
| Reprodução |
Marina Wentzel
Encerrados os Jogos Olímpicos mais caros da história, a China agora retoma aos poucos a vida normal. Quando atletas vão embora e equipes de limpeza entram em ação, fica a pergunta sobre o que fica da Olimpíada.
Além da fantástica mudança na paisagem arquitetônica de Pequim e da ampliação da rede metroviária, a China espera que os Jogos deixem um legado mais profundo, resultado da engenharia social que treinou milhões de cidadãos a respeitar filas, não cuspir no chão, não falar alto, ser cortês e ter bons modos.
Os chineses estão cientes do esforço de mudança e acreditam que a Olimpíada fez o país mais "civilizado" e "deu orgulho" à nação.
Mas, mais importante, os Jogos deixarão como legado "uma boa imagem da China para o mundo", segundo chineses entrevistados pela BBC Brasil.
"Acho que o Ocidente se impressionou conosco e essas duas semanas foram uma janela que permitiu aos dois lados (Ocidente e Oriente) interagir e se conhecer melhor. Acho que seremos olhados com mais respeito a partir de agora", disse o estudante de engenharia Wu Huang Zhang, 23 anos.
"A China provou que pode fazer um bom trabalho. Estamos mais confiantes em nós mesmos e vamos continuar tentando ser cada vez melhores. A nossa Olimpíada serve de exemplo para o mundo", disse o vendedor You Wen Bo, 25 anos.
Certamente ser olhado "com mais respeito" e "servir de exemplo" sempre esteve nos planos do Partido Comunista, que não poupou esforços na construção de uma Olimpíada memorável por sua grandiosidade.
No entanto, ainda não está claro se a expectativa dos chineses se concretizará e o Ocidente ficará com uma "boa imagem" da China após os jogos.
A censura imposta pelo país à imprensa e ao trabalho feito por ONGs evidenciou a diferença de percepção na área ideológica que distingue os chineses dos ocidentais.
A repressão a protestos e às vozes dissidentes do governo foi vista com indignação por organizações como a Anistia Internacional e Repórteres Sem Fronteiras.
Por causa da censura, muitos chineses não foram informados sobre as detenções e muitos dos que souberam acharam correto por considerar ser "pelo bem da nação".
"Não entendo porque a imprensa ocidental é critica da China. Nosso governo é tão bom pra nós", afirmou a dona de casa Shi Fung, 50 anos.
"Acho que os jogos foram uma boa promoção da nossa imagem no mundo e a idéia de que somos capazes e dedicados ficará para o futuro", disse a vendedora Jiang Xiao.
"Espero que agora o Ocidente tenha uma visão mais verdadeira da China. Mais pessoas estão vendo com os próprios olhos que nosso país é bom e vão voltar pra casa dizendo boas coisas de nós", deseja ela.
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BBC Brasil