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Sexta, 29 de agosto de 2008, 08h38

Saí dessa Olimpíada como vitorioso, admite Marcelinho

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Renata Machado

As mãos responsáveis pela armação das jogadas da Seleção Brasileira masculina de vôlei, que conquistou a medalha de prata em Pequim, agora têm uma nova função: cuidar do pequeno Pedro, com duas semanas de vida. Pelo menos por enquanto, essa será a atividade principal do levantador Marcelinho, que só conheceu o filho na terça-feira, após o desembarque da equipe no Brasil. A habilidade demonstrada nas quadras, porém, não é a mesma exibida em casa.

"Eu e a Raquel (a mulher) somos muito corujas, ficamos o tempo todo olhando para ele, reparando em tudo e sempre a ajudo a cuidar dele", contou o jogador, interrompido pela risada espontânea da mulher, entregando que não era bem verdade. "Eu não ajudo?", perguntou ele.

"Não", respondeu Raquel, no ato. "Ele fica do meu lado, me dá a fralda quando eu peço, olha eu dar banho... Mas não ajuda".

"Ah, ele é tão pequeninho e a Raquel com certeza tem mais habilidade para cuidar dele do que eu", justificou Marcelinho.

O fato é que, ajudando pouco ou muito, o levantador só tem olhos para seu primeiro filho e, por isso, ainda não quer saber de decidir seu futuro na seleção. Aos 33 anos, Marcelinho pode engrossar a lista dos jogadores que deixarão a equipe antes dos Jogos de Londres 2012 ¿ até agora, Gustavo e Anderson já confirmaram a aposentadoria da camisa verde-amarela e Giba disse que pretende ficar no grupo até o Mundial de 2010.

"Agora eu nem estou pensando em Seleção. Neste momento meu objetivo é ficar com a família e jogar bem no clube (o Unisul, de Joinville), que são minhas prioridades. Vou para lá semana que vem, depois vou jogar um torneio na Argentina e volto para o Rio. Aí depois vai a família toda para lá", contou Marcelinho, que trocou o Panathinaikos, da Grécia, pelo time nacional para poder ficar perto do filho. "Ele é um dos grandes culpados por eu ter voltado antes para o Brasil. Ainda tinha mais um ano de contrato, mas consegui a liberação".

Tempo

Mas se o Pedro foi um dos culpados pela volta do jogador da Europa, ele também deverá segurar o pai mais tempo nas quadras.

"Só vou começar a pensar em parar daqui a dois anos, quando termina o meu contrato com a Unisul. Mas quero que meu filho ainda me veja jogando. Só vou parar mesmo daqui a quatro ou cinco anos, mas na Seleção eu não sei. Vou pensar com minha mulher. Mas acho difícil jogar na próxima Olimpíada", comentou o carioca.

Marcelinho terá oito meses até a próxima convocação, em maio do ano que vem, para a Liga Mundial para decidir se aposenta ou não a camisa verde e amarela.

"Ficar viajando cinco, seis meses pelo mundo não é fácil e isso pesa um pouco. Mas, sem dúvida, o prazer de jogar e a possibilidade de encerrar a carreira com uma medalha de ouro olímpica me faria continuar, mas isso é o dia-a-dia que vai dizer".

O jogador, que entre todos da equipe era o que mais sofria pressão, por ser o substituto do afastado Ricardinho, cortado às vésperas do Pan e então o melhor levantador do mundo, negou que a prata conquistada em Pequim tenha sido amarga. O choro compulsivo após a derrota para os EUA na decisão dos Jogos, segundo ele, foi de emoção.

"No pódio eu estava chorando emocionado por ter conseguido uma medalha. Eu saí como vitorioso dessa Olimpíada, não é tão fácil ganhar essa medalha. A medalha teve gosto de prata, mas foi um gosto maravilhoso", explicou Marcelinho, acrescentando estar mais leve com a vida de pai, sem sofrer pressão.

"O nascimento do Pedro foi mais emocionante. É bem mais fácil tratar do filho. É só alegria, não tem ninguém para ficar falando nada, se você troca a fralda mal ou bem", completou.


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