Durante os oito segundos de uma montaria em touros, o competidor tem de ficar com o corpo próximo à corda. Quando isso não acontece, eis um dos momentos de maior perigo para o caubói: o “Puxão pra cabeça do touro”. Trata-se do choque entre o rosto do atleta com a cabeça do animal, e nem é preciso explicar quem sai perdendo. Nessa hora, é comum ouvir do locutor dizer “Puxou pra cabeça!”, seguido de um “Ai, ai, ai !”.
Nos meus 13 anos de competição fui vítima de alguns “puxões”. Uma vez, na cidade de Santo Anastácio, interior de São Paulo, durante minha apresentação na final, afastei-me da corda americana e vi a cabeça do touro vindo na minha direção. Acordei com um médico dando pontos no meu queixo, cicatriz que carrego e trago como herança até hoje.
Em outra oportunidade, em Limeira (SP), após os oito segundos, enquanto desamarrava a mão para descer, o touro deu um “puxão”. O movimento rendeu dez pontos internos na boca e dois externos. Passei uma semana tomando apenas sopa.
O “puxão” mais famoso do rodeio mundial aconteceu em Las Vegas, nos Estados Unidos, durante a NFR (National Final rodeio), a final Mundial da PRCA (Professional Rodeo Cowboys Association). De um lado, o touro mais famoso dos EUA e da história do rodeio mundial: Bodacious. Do outro, o tricampeão mundial Tuff Hedeman.
Depois de distanciar da corda, Hedeman, que já havia vencido Bodacius uma vez, tomou um puxão tão forte do animal que todos os ossos de sua face foram quebrados com a pancada. O rosto do competidor ficou tão desfigurado que seu filho não o reconheceu em visita ao hospital. Veja a montaria de Hedeman no aqui.
Eugênio José