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 Por "questão sentimental", Maurren foca tri pan-americano
23 de fevereiro de 2011 13h28 atualizado às 17h47

Maurren foca tricampeonato pan-americano em Guadalajara. Foto: Samir Baptista/Especial para Terra

Maurren foca tricampeonato pan-americano em Guadalajara
Foto: Samir Baptista/Especial para Terra

Thiago Bordini Tufano
Direto de São Paulo

Não é novidade que Maurren Maggi tem um carinho especial pelos Jogos Pan-Americanos, competição em que já levou o ouro em duas oportunidades (Winnipeg 99 e Rio de Janeiro 2007). E é pensando nisso que a campeã olímpica do salto em distância admite que o principal objetivo da temporada é a disputa em Guadalajara, de 14 a 30 de outubro. Com esse foco, Maurren buscará o tri pan-americano por um único motivo: "é uma questão pessoal, sentimental", afirmou a atleta brasileira.

"É uma prova forte no salto em distância. A única diferença do Pan para o Mundial é que as russas não entram, mas continua muito forte porque cubanas, jamaicanas e americanas competem. E é lógico que quero brigar pelo tricampeonato", afirmou Maurren, que voltou a competir nesta quarta-feira, após seis meses recuperando-se de lesão.

Além da própria competição ser especial para Maurren, o México lhe traz boas e más recordações. "Já competi no México e não tive boas experiências. Fiquei fora do Mundial por 1 cm, quando tinha uns 20 anos. Mas é um país onde um grande ídolo meu conseguiu uma medalha, que é o João do Pulo, além de um recorde importante, então vou contar com a sorte dele para conseguir bons resultados".

João do Pulo morreu em 1999, aos 45 anos, e foi um dos melhores atletas brasileiros da história. No Pan da Cidade do México, em 1975, o brasileiro conquistou dois ouros, um no salto em distância e outro no salto triplo, repetindo o feito em San Juan, em 1979.

Além disso, mais dois bronzes olímpicos, um em Montreal 76 e o outro em Moscou 80, fazem parte do vasto currículo do ídolo.

O índice do salto em distância para os Jogos que serão disputados na cidade mexicana ainda não foi definido, mas Maurren acredita que a marca ficará em torno dos 6,60 m, número nada complicado para quem já saltou 7,04 m na Olimpíada de Pequim, o que lhe rendeu uma medalha de ouro inédita para o Brasil.

"Para o Pan a expectativa é pódio, claro, mas para o Mundial é melhorar a marca. Quero saltar acima de 6,90 m, o que vai ser muito bom", afirmou a campeão olímpica.

Falando em marcas, Maurren leva uma delas bem perto, mais especificamente nas costas. A atleta apareceu no Centro Olímpico do Ibirapuera, nesta quarta, com a camisa número 7 do São Paulo e disse que essa é a "marca-chave".

Segundo ela, esse número lhe garante, no mínimo, um pódio em qualquer competição que disputar, lembrando que a melhor marca da brasileira é 7,26.

Mas para chegar perto dessas invejáveis marcas, Maurren admite que ainda precisa treinar muito. Recuperando-se de lesão, a atleta acredita que somente as competições farão com que ela volte a ter o mesmo desempenho de anos anteriores e retorne ao lugar mais alto do pódio.

"Temos que continuar nosso trabalho. Não tem segredo, palavra chave, nem treinamento específico. É pegar ritmo de competição e continuar o trabalho. Não estamos fazendo nada diferente. Só falta ritmo de competição, por isso que vou entrar em todas as competições que conseguir, mesmo estando em treinamento forte", afirmou Maurren.

Enquanto muitos atletas já estão pensando em Londres 2012, a atual campeão olímpica do salto em distância não quer se preocupar com a competição na capital britânica. Segundo ela, muitas águas vão rolar até a Olimpíada.

"Teremos uma temporada forte no meio do ano e temos que fazer a preparação para o Pan e para o Mundial e só depois vem Londres, com uma preparação que começa só ano que vem. Temos que dar um passo de cada vez", concluiu Maurren.

Especial para Terra
  1. A atual campeã olímpica do salto em distância, Maurren Maggi, retornou às competições oficiais na manhã desta quarta-feira, em um evento da Federação Paulista de Atletismo, no Centro Olímpico do Ibirapuera, em São Paulo

    Foto: Samir Baptista/Especial para Terra

  2. O baixo número de concorrentes, no entanto, preocupa Maurren pois é ano de Pan-Americano e ela acredita que deveria haver mais atletas saltando nesta competição

    Foto: Samir Baptista/Especial para Terra

  3. O treinador da atleta brasileira, Nélio Moura, durante competição disputada em São Paulo

    Foto: Samir Baptista/Especial para Terra

  4. No quinto salto, a atleta, visivelmente desgastada, não conseguiu sequer ganhar velocidade

    Foto: Samir Baptista/Especial para Terra

  5. O treinador de Maurren disse que há tempo para que ela recupere a melhor forma física, ja que em maio começam as competições (temporada de GPs internacionais e nacionais)

    Foto: Samir Baptista/Especial para Terra

  6. A campeã olímpica afirmou ainda que o ritmo de treinos está bem forte e que os bons resultados aparecerão nas principais competições a partir de maio

    Foto: Samir Baptista/Especial para Terra

  7. Na terceira, de cinco tentativas, Maurren saltou 6,32 m, longe dos 7,04 m conquistados na final dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, e mais longe ainda de sua melhor marca, 7,26 m

    Foto: Samir Baptista/Especial para Terra

  8. Maurren Maggi correndo e se preparando para um de seus saltos

    Foto: Samir Baptista/Especial para Terra

  9. Maurren Maggi conversa com Nelio Moura durante o evento da Federação Paulista de Atletismo

    Foto: Samir Baptista/Especial para Terra

  10. Segundo Maurren, o principal obstáculo no evento foi o baixo número de concorrentes, já que geralmente, em competições maiores, oito atletas disputam a final e, portanto, cada atleta tem um intervalo de oito a dez minutos entre um salto e outro

    Foto: Samir Baptista/Especial para Terra

  11. Maurren ficou a 72 cm de marca que lhe rendeu medalha de ouro na Olimpíada de Pequim

    Foto: Samir Baptista/Especial para Terra

  12. Maurren, que está há quase um ano sem competir, disse que ainda precisa adquirir ritmo

    Foto: Samir Baptista/Especial para Terra

  13. Cansada, ela não alcançou uma boa marca na prova, mas o objetivo principal foi cumprido e a vitória foi conquistada, apesar de competir contra apenas duas competidoras

    Foto: Samir Baptista/Especial para Terra

  14. Ex-jogadora de basquete, Hortência prestigiou o evento da Federação de Atletismo

    Foto: Samir Baptista/Especial para Terra

  15. Caio Cezar, de apenas 18 anos, tem treinado com Maurren Maggi e é uma das promessas do atletismo brasileiro

    Foto: Samir Baptista/Especial para Terra

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