Dilma foi defendida em evento realizado em São Paulo que tratou sobre a Olimpíada
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR/Divulgação
- Simone Sartori
- Direto de São Paulo
Secretário Especial de Articulação para Grandes Eventos da prefeitura de São Paulo, o ex-deputado Walter Feldman, designado pelo prefeito Gilbert Kassab para acompanhar os preparativos dos Jogos de Londres, criticou na tarde desta terça-feira, durante evento na capital paulista, a "governança" da Olimpíada no Brasil e sugeriu que a presidente Dilma Rousseff (PT) fosse a responsável por essa gestão. Para ele, o Rio de Janeiro não pode ser visto como o único beneficiado do ponto de vista econômico e de melhorias de infraestrutura.
"Aqui (no Brasil, em comparação a Londres) a impressão que passa é que o único favorecido será o Rio de Janeiro, a concentração de esforços é para o Rio, e todo o desenvolvimento econômico deve se dar no Rio. O que falta para que a gente supere esses gargalos? Primeiro seria, e as recomendações foram dadas, houvesse uma governança adequada. Não é possível que um evento com essas características possa ter disputas políticas ou partidárias", disse o ex-secretário municipal de Esportes, Lazer e Recreação de São Paulo.
"Esse é um evento que deveria ser comandado pela presidente da República ou por alguém de sua mais absoluta confiança e que não passasse por nenhuma outra negociação, porque a nossa geração não terá oportunidades semelhantes. O Brasil nunca será tão visto quanto nesse período. A nossa visibilidade é de tal monta que pode efetivamente transformar aquilo que o Brasil significa no cenário internacional", defendeu.
Feldman afirmou ainda que a "governança" dos Jogos Olímpicos no Brasil não deve passar por interesses de caráter político ou partidário e que a transparência entre os setores público e privado deve ser prioridade. Ele destacou ainda que, diferente da Copa do Mundo, que tem o comando da Fifa, a Olimpíada é um evento de "caráter público". Apesar de os Jogos terem o Rio como sede, o cargo de Feldman visa buscar experiências para São Paulo na organização da Copa do Mundo.
"Deveria ser alguém de absoluta confiança da presidente e que pudesse gerenciar os aspectos relativos aos desejos políticos, eleitorais, ao nosso calendário, que não poderia interferir com um projeto nacional. Não é um projeto de uma eleição. Essa é uma questão que ainda não conseguimos resolver", afirmou.
"A segunda é a construção de uma ponte de confiança entre o privado e o público, de que tudo aquilo que será feito será realizado por aqueles segmentos do setor privado que têm as melhores condições. E não eventualmente por alguns tráficos de influência ou por decisões licitatórias que nós conhecemos têm uma contaminação e uma quantidade de desvios que, infelizmente, o Brasil quase se acostumou a revelar os equívocos e muito pouco resolver depois dessas situações", atacou.
Experiência britânica
Em São Paulo para o seminário, o britânico Dennis Mills, CEO da Major Events International, falou da experiência ligada à organização dos Jogos de Londres e destacou que o Brasil tem uma oportunidade única de realizar Olimpíada e Copa em "tão pouco tempo" e que a interface entre poderes público e privado é fundamental para o sucesso dos eventos esportivos.
De acordo com ele, o Brasil deve se preocupar com o "legado" e com os benefícios - econômicos e de infraestrutura - que os eventos podem trazer à sociedade também após a realização.
"É importante ter um fim em mente: o que você gostaria que as pessoas falassem para você após o evento, o que as pessoas poderiam dizer de mal ou ruim do evento. (...) A questão do transporte é importante e os serviços ao cliente também são sempre discutidos. É muito importante também que as pessoas falem em inglês e que haja uma oportunidade para as pessoas manterem o emprego depois. É preciso procurar uma única organização que pode coordenar tudo isso. Ter uma organização que faça a interface entre setor público e o setor privado é fundamental".
Também palestrante do evento, o britânico Chris Bell, gerente de contratos da autoridade olímpica de Londres 2012 e responsável pela interface entre organização da Olimpíada e o setor privado, elencou os três pontos que os organizadores dos eventos esportivos no Brasil devem ter em mente para atrair o envolvimento da iniciativa privada.
"O primeiro é o que vai ser necessário para que os Jogos ocorram (infraestrutura). O segundo são as oportunidades, o que as empresas podem obter com isso, oferecer um impulso para a iniciativa privada. O terceiro é um amplo planejamento sobre o impacto dos Jogos, como gerenciar as centenas e milhares de pessoas e obter os melhores benefícios", ensinou.
O seminário "Zona Leste, O Futuro de SP Passa Por Aqui" foi organizado pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e aconteceu ao longo desta terça-feira, no hotel Renassaince, na região central de São Paulo, e atraiu a presença de empreendedores de diferentes setores da capital paulista.
- Terra



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