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Norueguês faz loucuras pelo Santos e sonha com museu europeu

20 set 2014
09h00
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<p>André ao lado de Gabigol em torneio da Seleção sub-20</p>
André ao lado de Gabigol em torneio da Seleção sub-20
Foto: Arquivo pessoal

"Os meus amigos pensam que estou louco". A frase que resume a relação de André Østgaard, 21 anos, com o Santos soaria como qualquer clichê não fossem as circunstâncias. O norueguês de Knapstad, cidade próxima da capital Oslo, prova a mais de dez mil quilômetros de distância um amor sem fronteiras pelo clube que aprendeu a gostar com o tio, em uma visita ao Brasil, há 11 anos. O torcedor atípico, que vira noites para acompanhar os jogos ao vivo, possui uma coleção de mais de 55 de artigos exclusivos do clube e já sonha, inclusive, abrir o novo museu santista na Europa para tentar converter outros "loucos" em seu país.

"Não os culpo (os meus amigos). Eu estou louco, assisto a um time do outro lado do planeta a noite toda", disse. "Já tenho muitos amigos noruegueses que começaram a seguir o Santos e tenho os feito torcedores", completou.

A paixão de André foi iniciada na visita ao tio norueguês que mora em Itu, no interior de Sâo Paulo, em 2003. "Ele me levou para a Vila Belmiro e me lembro de uma atmosfera fantástica, algo que nunca vi ou senti no futebol norueguês".

O norueguês, no entanto, largou de vez a torcida pelo Rosenborg, principal clube da Noruega, oito anos depois, com a geração liderada por Neymar na conquista da Copa Libertadores. A paixão foi fortalecida quando passou a acompanhar os jogos de madrugada.

Exposição de algumas das peças de sua coleção
Exposição de algumas das peças de sua coleção
Foto: Arquivo pessoal

"Se o Santos começa a jogar às 3h (local), fico acordado e assisto até o fim, mesmo que isso signifique muitas vezes duas ou três horas de sono antes que tenha que trabalhar", explicou.

André virou fã de Neymar, seu maior alvo na coleção, de quem já possui 14 camisas e duas chuteiras e fez o seu maior investimento até então: 500 libras (cerca de R$ 2 mil) por uma chuteira em que atuou. Todos os itens de sua coleção são raros, geralmente utilizados em jogos. Entre eles estão braçadeiras de capitão, chuteiras, luvas e bolas usadas em partidas.

"Tive a ideia de fazer um pequeno museu em minha casa, mas é muito difícil, considerei que não conseguiria muitas visitas. Tem alguns monitores para mostrar aos meus amigos quando visitam e creio ter a maior coleção do Santos na Europa, quero que siga crescendo", explicou. "Gostaria de fazer (o museu e ter ajuda), mas não acho que será possível", completou.

Curiosamente, André só conseguiu acompanhar de perto o Santos novamente no maior vexame recente da história do clube, o histórico 8 a 0 sofrido para o Barcelona, em agosto do último ano, no Estádio Camp Nou, pelo Troféu Joan Gamper. Nem isso desanimou.

Agora, o seu maior plano maior é mudar-se já em 2015 para o Brasil. O objetivo, logicamente, é ficar mais próximo do Santos e do atual ídolo no elenco, o atacante Gabriel Barbosa, por quem fez longa viagem até Valência para conhecê-lo pessoalmente com a Seleção Sub-20, na disputa do Torneio Cotif.

Veja a entrevista com o colecionador santista da Europa:

Quando começou sua história com o Santos? É incomum para europeu torcer para um clube brasileiro. Qual a razão?
Creio que foi em 2003, quando fui ao Brasil pela primeira vez. Eu visitei meu tio em Itu. É um norueguês, mas ele se mudou para o Brasil há muitos anos e se tornou um santista. Ele, na ocasião, me levou para a Vila Belmiro. Me lembro de umaa atmosfera fantástica, algo que nunca vi ou senti no futebol norueguês. Alguns anos se passaram e eu não pensei muito mais sobre Santos até 2011, quando eu tinha mais tempo para assistir futebol no período noturno. Quando vi Neymar brilhar na Libertadores, me fez lembrar daquele que clube fantástico que vi jogar na Vila Belmiro, em 2003, e virei um torcedor. Desde então, por causa das diferenças de fuso, se Santos começa a tocar às 3h daqui, fico acordado e assisto até o fim, mesmo que signifique que tenho apenas duas ou três horas de dormir antes que tenha que ir trabalhar no dia seguinte. O Santos se tornou o meu amor, e vale a pena cada segundo.

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Você já viu o Santos no estádio novamente depois disso, certo? Como foi?
Em 2013 viajei sozinho para Barcelona para ver Santos jogar. Ninguém quis ir comigo, então eu viajei completamente sozinho, mas fiz vários contatos com fãs do Santos que até hoje são meus amigos. Eu não fiquei tão triste (com o 8 a 0) porque eu consegui grandes lugares na primeira fila para ver Neymar em sua estreia pelo Barcelona e todos os meus heróis do Santos pessoalmente. Conheci todos os jogadores no hotel antes do jogo, estava muito feliz com a viagem apesar de ter sido um caos no fim, quando fãs irritados com a equipe fizeram uma reunião com os líderes Santos. Foi uma boa viagem, uma grande experiência.

Quais são seus jogadores favoritos? Tem contato com eles? Eles sabem desse seu amor pelo clube?
Meus jogadores favoritos são, definitivamente, Gabigol e Neymar, verdadeiras estrelas e talentos de Santos. Conheci o Gabriel em Valência, no Torneio Cotif. Recentemente, viajei da Noruega para vê-lo jogar, disse-lhe a minha história e ele ficou muito feliz. Mostrei-lhe a minha coleção de camisas dele e ele me deu as suas caneleiras. Tirei algumas ótimas fotos com ele, que passou a me seguir no Twitter, para que eu possa escrever para ele quando quiser. O Neymar não sabe de mim ainda, mas meu objetivo é mostrar-lhe a minha coleção um dia.

Com relação a sua coleção. Como começou? São quantos artigos?
Comecei minha coleção no verão passado e, depois de conhecer um monte de gente boa, usei todo o meu dinheiro e aumentei muito ela. Agora, tenho um total de 67 itens, a maioria Santos, mas também quatro camisas do Chile, duas do Ronaldinho mo Atlético-MG, além de algumas camisas de outros clube. Acho que do Santos são 55 itens entre chuteiras (Geuvânio, Damião, Gabigol, Mena, Robinho e Neymar). Tenho a braçadeira de capitão do Cícero, também, o restante são camisas. Possuo sete camisas do Gabriel, todas utilizadas em jogos, além de duas bolas usadas no Campeonato Paulista e assinada pelos jogadores.

E qual é o objeto mais precioso? O valor mais alto pago por um item?
O item que mais gosto é a chuteira do Gabriel porque, realmente, gosto muito do jogador, mas o item mais valioso são as chuteiras usadas pelo Neymar em um jogo, são muito caras. A maioria dos itens do Santos recebo a bons preços, mas o primeiro par de chuteiras do Neymar foi muito caro, comprei de um colecionador a 500 libras. Outro foi a camisa utilizada pelo Neymar na Copa do Mundo.

O que os seus amigos dizem sobre essa paixão? Conseguiu convencer alguém a também torcer para o Santos?

<p>Neymar é o principal ídolo de André</p>
Neymar é o principal ídolo de André
Foto: Reuters

Meus amigos pensam que sou louco, e não os culpo. Eu estou louco, assisto a um time do outro lado do planeta a noite toda, mas essa é a minha paixão, acho que vale a pena. O Santos é um clube fantástico, com muitos fãs ao redor do mundo. Comecei a conhecer muitos por meio de um Twitter que criei: SantosFCEnglish para santistas que falam inglês. Como o Santos não tem nada para incluir santistas de outros países, então faço o meu melhor para atualizar e me atualizar. De fato tenho feito muitos amigos noruegueses seguidores do Santos e os tenho feito torcedores. São 15 pessoas da Noruega que ajudei a começarem a acompanhar o Santos.

A diretoria não conhece a sua coleção e história? Tem ideia de criar um museu na Europa? Estuda pedir incentivos para isso?
Não creio que a diretoria saiba da minha coleção e, pelo que sei, eles não gostam dessas vendas de camisas, mas é impossível comprar pela loja oficial em outros países. Então, para mim, é mais fácil comprá-las usadas de jogos do que pegar da loja. Quero que a minha coleção aumente o máximo possível, pois realmente amo o que estou fazendo no momento é algo muito especial. Tive a ideia de fazer um pequeno museu em minha casa, mas é muito difícil, considerei que não conseguiria muitas visitas. Tem alguns monitores para mostrar aos meus amigos quando visitam e creio ter a maior coleção do Santos na Europa, quero que siga crescendo. Gostaria de fazer (o museu e ter ajuda), mas nunca pensei na ideia (de incentivos), mas não acho que será possível.

Pensa sobre uma nova vinda para o Brasil? Em até se mudar para acompanhar tudo mais de perto?
Tenho a ambição de me mudar para o Brasil no próximo verão, só preciso de um novo emprego e guardar o dinheiro. O meu sonho é, definitivamente, me aproximar do Santos para que eu possa vê-lo jogar toda a semana. Além disso, os brasileiros são fantástico, amo a cultura e as pessoas. Espero um dia ter uma esposa brasileira, também.

Fonte: K.R.C.DE MELO & CIA. LTDA – ME K.R.C.DE MELO & CIA. LTDA – ME
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