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Pelé, Academia e apelidos: a última final Palmeiras x Santos

20 abr 2015 07h00
| atualizado às 07h38
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A confirmação de Palmeiras e Santos como finalistas do Campeonato Paulista remete a nostalgia. Os rivais não se encontram em uma decisão desde 1959, há 55 anos, quando, na ocasião, os palmeirenses saíram vitoriosos. O último encontro decisivo, por sinal, contava com Pelé, a primeira Academia de Futebol e provocações curiosas entre os craques do passado - resumidas, principalmente, a apelidos.

Na ocasião, a decisão saiu em três jogos, em janeiro de 60, em um período de apenas cinco dias. Após empate nos dois primeiros, 1 a 1 e 2 a 2, um terceiro confronto foi disputado, com vitória decisiva do Palmeiras, 2 a 1. Todos aconteceram no Estádio no Pacaembu.

Primeira página do jornal A Gazeta Esportiva retrata a conquista palmeirense no Paulista de 1959
Primeira página do jornal A Gazeta Esportiva retrata a conquista palmeirense no Paulista de 1959
Foto: Gazeta Press

"Me lembro que jogamos em poucos dias, tivemos um ano anterior desgastante e praticamente começamos decidindo esse título. O Palmeiras estava descansado, mais preparado", relembrou o ex-ponta esquerda Pepe ao Terra.

O estádio, por sinal, pode ser repetido como palco da decisão, já que o mando será definido pela Federação Paulista de Futebol (FPF) nesta segunda-feira. A entidade tem o desejo de mandar os jogos no estádio.

De 1958 até 1969, a Academia palmeirense e o Santos de Pelé dominaram o cenário paulista, revezando-se como campeões. No período, o clube alvinegro venceu nove Estaduais contra três do rival. A sequência só foi interrompida pelo título do São Paulo, em 70.

As eras vitoriosas levaram as equipes, também, a boa parte de suas conquistas nacionais, unificadas mais recentemente, em 2010. Enquanto a Academia alviverde contava com Ademir da Guia, Dudu, Julinho Botelho, Djalma Santos, Valdir de Moraes e outros, o Santos tinha Pelé, Pepe, Coutinho, Carlos Alberto Torres, Zito, Mauro Ramos...

Pelé tinha apenas 19 anos quando perdeu o Paulista de 1959 para o Palmeiras
Pelé tinha apenas 19 anos quando perdeu o Paulista de 1959 para o Palmeiras
Foto: Gazeta Press

"Servíamos de base para tudo, para a seleção paulista e a brasileira. Me dava muito bem com o Djalma Santos (lateral direito, seu marcador). Ele nunca deu um pontapé, era uma disputa muito esportiva, de amigos, mas vou confessar que o apelido dele era 'Rato'. Ele tinha um nariz achatado, parecia um, mesmo. Mas ele devolvia: toda vez que me via, falava que meu cabelo estava pior ainda, que eu ia ficar careca e precisava comprar uma peruca", disse Pepe.

"O Julinho era muito meu amigo. Era um cara assim como eu, muito voltado para a família, nunca era expulso, não entrava em encrencas. Claro que mexia com ele por conta do nariz, falava que parecia o Pinóquio. Era um jogador sensacional, só perdia para o Garrincha, mas creio que era tão bom quanto", completou.

Entre as peculiaridades, há o fato dos jogadores se conhecerem tão bem que Pepe precisou modificar a sua forma de bater pênaltis, costumeiramente no canto esquerdo do goleiro, para enganar Valdir de Moraes, goleiro palmeirense. "Bati as duas bombas (na segunda final) no meio e ele pulou para o canto esquerdo".

"Primeira Academia" conquistou o Campeonato Paulista de 1959
"Primeira Academia" conquistou o Campeonato Paulista de 1959
Foto: Gazeta Press

Desde então, os times ainda se enfrentaram em mata-matas, principalmente em semifinais. O Palmeiras saiu vitorioso em 1998, pela Copa do Brasil, quando eliminou o rival em plena Vila Belmiro, enquanto o Santos guarda o encontro em 2000, pelo Campeonato Paulista, como uma das suas maiores viradas recentes. A equipe perdia por 2 a 0, no Estádio do Morumbi, até o intervalo, e precisava vencer para passar à final. Marcou três gols no segundo tempo, passou, mas acabou perdendo a decisão para o São Paulo.

A final pode consolidar mais a condição de segundo maior vencedor do estado, atualmente ocupada pelo Palmeiras, dono de 22 títulos. O Santos, com 20 e em sua sétima final consecutiva, tentará chegar ainda mais próximo do rival.

Fonte: K.R.C.DE MELO & CIA. LTDA – ME K.R.C.DE MELO & CIA. LTDA – ME
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