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Pronta às pressas, Arena Pantanal exibe falhas em jogo-teste

3 abr 2014
09h20
atualizado às 09h25
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A Arena Pantanal, em Cuiabá, ainda não está em condições de receber seus quatro jogos da Copa do Mundo de 2014. Foi isso que apontou o jogo-teste desta quarta-feira, entre Mixto-MT e Santos, que terminou com empate por 0 a 0 pela Copa do Brasil.

<p>Funcionários retiram água de dentro da Arena Pantanal com rodos, antes do jogo entre Mixto e Santos</p>
Funcionários retiram água de dentro da Arena Pantanal com rodos, antes do jogo entre Mixto e Santos
Foto: Keka Werneck / Especial para Terra

Os portões só foram abertos com 1h15 de atraso. O secretário extraordinário da Copa, Maurício Guimarães, confirmou que a demora ocorreu porque os aparelhos validadores dos ingressos foram importados de Goiânia. "O voo atrasou, e também demoramos muito para instalar, tanto que começamos a operar manualmente. No próximo jogo, já vamos ter o validador aqui, com um dia de antecedência", disse o secretário, que passou a tarde no estádio resolvendo pendências, sempre com expressão de tensão no rosto.

Às 15h, sete horas antes da partida, ainda havia gente limpando o local e diversos operários fazendo outros serviços. Por volta de 16h30, caiu um temporal que alagou por alguns minutos a área externa da Arena. A água também começou a invadir o hall de entrada. Funcionários usaram rodos comuns para escoar a enxurrada. Nas redes sociais, começaram a surgir fotos ironizando o alagamento.

<p>Temporal alagou entorno do estádio antes da partida</p>
Temporal alagou entorno do estádio antes da partida
Foto: Facebook / Reprodução

"Tivemos um dia atípico, caiu um toró d'água. Graças a Deus tivemos a chuva, atrapalhou um pouco as obras, mas alguém estava precisando da chuva. Uns mais e outros menos. Vocês viram o que está acontecendo na Bahia, os produtores perdendo safra, e São Paulo convivendo com o racionamento. Então a chuva é abençoada e Deus sabe o que faz", alegou o governador Silval Barbosa (PMDB).

Na área interna, dava para ver locais de infiltração, com água pingando. Uma sala ao lado do Espaço Mídia, destinado à imprensa, estava cheia de poças de água e fiação espalhada. O secretário Maurício disse que "tudo isso será resolvido".

Cadeiras em falta e torcedores de pé 

<p>Torcedores reclamaram da falta de assentos suficientes para sentar</p>
Torcedores reclamaram da falta de assentos suficientes para sentar
Foto: Keka Werneck / Especial para Terra

O representante comercial Antônio Torquato, 49 anos, de Cuiabá, teve a impressão de que foram vendidos mais ingressos do que as 20 mil cadeiras disponibilizadas. "Faltou organização. Tinha gente em pé, e isso gerou um tumulto no intervalo entre o primeiro e o segundo tempo".

Outra coisa que ele destacou é que as cadeiras não valem o preço cobrado (R$ 340), porque oferecem um conforto normal. Ainda na opinião dele, elas poderiam ter sido dispostas com um pouco mais de espaço.

Os espaços vazios, ainda no cimento, em toda a arquibancada superior, indicavam os lugares onde deveriam existir assentos esportivos já instalados. Somente na quarta-feira os funcionários instalaram, às pressas, pelo menos 400 cadeiras, como admitiu o secretário. Um funcionário da Kango, empresa responsável pelo serviço, disse que o número foi bem maior - cerca de 800.

Sobre a numeração das cadeiras, o secretário avisou que isso só será providenciado para os próximos eventos. Desta vez, cada torcedor sentou onde havia vaga.

Segurança reforçada

Fios elétricos ficaram expostos dentro das instalações do estádio
Fios elétricos ficaram expostos dentro das instalações do estádio
Foto: Keka Werneck / Especial para Terra

Chamou a atenção também a revista na entrada. Homens e mulheres de todas as idades, exceto crianças, passaram por revista pessoal. O oficial da Polícia Militar R. Carvalho, responsável pela área da portaria, disse que isso estava ocorrendo porque faltaram equipamentos, como o detector de metais. "Esses equipamentos evitariam a revista pessoal. Nós estamos procurando armas ou instrumentos cortantes, que possam usar para ferir".

Segundo Carvalho, a Fifa que vai disponibilizar os detectores de metal porque a Polícia Militar do Mato Grosso não tem esses equipamentos. "Isso é para a segurança de todo mundo que está entrando".

Arieli Caroline, 26 anos, secretária, passou pela revista e não viu nenhum constrangimento nisso. "Melhor assim, mais seguro", disse ela.

O que incomodou o engenheiro agrônomo Nei Saraiva dos Santos, 44 anos, de Sorriso, a 466 km de Cuiabá, é que ainda havia muitos restos de material de construção no entorno da arena. "Logo na chegada vi muita coisa a ser realizada ainda. Para a Copa vão ter que trabalhar bastante. Muito entulho em volta dela. Depois que você adentra, aí sim é muito bonito. Mas o que mais me interessa aqui é verificar se tem segurança, conforto, a questão de banheiros e se é um lugar onde eu posso levar a família", afirmou, ao lado da mulher e da filha.

O que funcionou

Júnior Almeida, 32 anos, sofre desde os sete de distrofia muscular, uma doença progressiva que compromete o desenvolvimento e os movimentos corporais. Hoje em dia, após superar vários traumas, ele trabalha com informática.

Na entrada da arena, ele já estava contente com a acessibilidade. "Fui ao banheiro e é adaptado, e também já vi onde vou sentar. Em relação ao Verdão (apelido do Estádio José Fragelli, demolido para a construção da Arena Pantanal), está muito melhor. O que falta melhorar são as calçadas do lado de fora", sugeriu.

Cadeirante Júnior Almeida aprovou a acessibilidade do estádio
Cadeirante Júnior Almeida aprovou a acessibilidade do estádio
Foto: Keka Werneck / Especial para Terra

Uma coisa que funcionou, na opinião do secretário Maurício Guimarães e de torcedores, foi o estacionamento na Acrimat, parque de exposições agropecuárias. De lá, os torcedores seguiram para a arena em ônibus especiais. Porém, o trânsito ficou muito tumultuado para quem foi de carro até as proximidades do estádio e não chegou antes das 18h.

Paulo Cabral, 28, contador, reclamou que deixou o carro a cerca de 200 m e seguiu a pé. "Mas para eu chegar próximo ao estádio, estava muito tumultuado e foi estressante". Ele chegou quase na hora do jogo.

Já o representante comercial Antônio Otávio, 63 anos, morador de Cuiabá, foi um dos primeiros torcedores a chegar. Às 15h, estacionou o carro em uma rua próxima e caminhou até a entrada A, com seu rádio inseparável. Sobre a arena comentou: "um espetáculo, estrutura de nível mundial".

Por ironia, ele é torcedor do Santos e do Mixto. "Fiquei na dúvida para quem torcer, mas como o Santos só vem a Cuiabá a cada dez anos, resolvi vestir a camisa santista, que uso desde que vi Pelé jogar", contou.

Fonte: Especial para Terra
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