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Azulão e Santo André buscam espaço perdido para o Bernô no ABC

24 jan 2014
10h12

Fundado em 2004, o São Bernardo Futebol Clube foi, por muito, tempo a terceira potência do futebol do ABC paulista. Porém, em 2014, o panorama se inverteu. O Tigre é o único representante da região na elite estadual, enquanto que São Caetano e Santo André, equipes que já disputaram a Taça Libertadores da América, tentam retomar o caminho de glórias na Série A-2.

Em 2008, o Aurinegro batateiro foi vice-campeão da Série A-3 do Campeonato Paulista. No elenco, comandado pelo técnico Lelo, um jogador se sobressaiu: o atacante Renato Peixe, que atua agora como lateral-esquerdo. Querido pela torcida do Bernô, o jogador disputará a Série A-2 deste ano pelo rival ramalhino, após passagens por Guaratinguetá e Mirassol.

No outro lado da rivalidade regional, Peixe se mostrou surpreso com a rápida ascensão do seu ex-clube: "Sempre acreditei que o São Bernardo chegaria à elite, mas não tão rápido. Uma pena que ele está sozinho lá. Isso é péssimo para o ABC paulista, uma região rica e próspera. Nos últimos anos, Santo André e São Caetano deixaram muito a desejar, mas o Ramalhão está colocando a casa em ordem. Tem um planejamento consolidado. Sei que, em breve, voltaremos ao nosso lugar", expressou.Adiante, o lateral-esquerdo discorreu sobre o plantel do Santo André, detentor de uma elevada folha salarial e com atletas que fizeram carreira na elite nacional: "É um elenco voltado para o acesso. Temos jogadores campeões aqui, mas a resposta precisa vir dentro de campo. Eu já joguei junto com Saulo (goleiro) e Michael (meia) no Guaratinguetá e esse entrosamento vai ser determinante. Além do mais, o Diego Orlando (volante) e o Nunes (centroavante) estiveram juntos no Avaí. O plantel foi escolhido a dedo, pois o Ramalhão precisa voltar ao caminho de glórias", ressaltou.

Por fim, Peixe expôs sua expectativa para o Clássico do ABC: "Vamos atuar com muita seriedade e disposição. São duas potências em campo. Esse clássico não pode acontecer numa Série A-2, mas essa é a nossa realidade. É uma partida sem favoritos, de dois clubes que brigarão pelo acesso", completou.

Ídolo do São Caetano, o atacante Adhemar, vice-campeão brasileiro pelo Azulão, analisou com tristeza o atual momento vivido pelo clube: "O time não tem conjunto. Numa temporada a diretoria vai e contrata 40 jogadores. Depois dispensa 35 e chama mais 40. Isso é prejudicial. No meu tempo, o Azulão tinha uma base consolidada: eu, Claudecir, Dininho, Sílvio Luiz...a espinha dorsal não se alterava. Por isso chegamos tão longe", recordou.

Longe dos gramados desde 2012, quando defendeu o Pirassununguense, na quarta divisão paulista, Adhemar fez questão de expor um sonho: assumir a presidência do São Caetano: "Eu tenho essa pretensão. Sei que pra isso é necessário ter experiência no ramo de gestão empresarial, além de analisar com cuidado o estatuto do clube. Sinto que posso ajudar o time que eu tanto amo, tendo a torcida do meu lado. O presidente (Nairo Ferreira de Aguiar) sempre me ataca, mas esse momento é de união. Não quero provocar polêmica na diretoria. Eu me desdobraria para ser útil, pois essa situação é inaceitável. O Azulão virou um clube que todo mundo chega e bate", apontou.Adhemar chegou ao São Caetano no final de 1996, para integrar o elenco do Azulão na Série A-3 de 1997. Após bater a trave em sua primeira temporada no ABC, o atacante conquistou o acesso no ano seguinte. Porém, quando traçou um paralelo entre a evolução da divisão, o jogador foi enfático ao apontar diferenças: "Os estádios continuam os mesmos. Ou melhor, pioraram, pois envelheceram. Agora, a pegada é a mesma. A Série A-2 é sempre muito disputada. Com a falta de gestão profissional, vemos a presença de grandes clubes e jogadores, mas a raça e a velocidade não diminuiu. Se o Azulão não entrar com seriedade e espírito de garra, vai ficar mais um ano longe da elite", analisou.

O Santo André realiza a partida de estreia da Série A-2, às 10 horas (de Brasília) deste sábado, diante do Guaratinguetá, no estádio Bruno José Daniel. Por sua vez, o São Caetano debuta na competição contra a Itapirense, no estádio Coronel Francisco Vieira, às 19h30. O embate entre os rivais do ABC ocorrerá na última rodada, marcada para a manhã do dia 13 de abril, domingo.

*Especial para a GE.net

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