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10 anos sem Senna

"Ficamos muito amigos"

Emerson Fittipaldi
Especial para o Terra

Conheci o Ayrton Senna no kart. Fui eu quem apresentou o Ralf Firman a ele, o chefe da equipe em que ele correu na Fórmula Ford, a Van Dimenn.

Nós ficamos muito amigos e, mesmo morando longe um do outro, sempre saíamos juntos. De vez em quando ia encontrar com ele na Europa, ou então ele ia até minha casa, nos Estados Unidos. Nos encontrávamos e saíamos para jantar, tínhamos bons momentos juntos.

Em 1988, o Ayrton estava em minha casa, em Miami, e eu liguei para o Frank Williams. Disse que estava ao lado do piloto que seria campeão mundial para ele. Então, passei o telefone para o Ayrton, e eles conversaram. Depois disso, nós ficamos três dias em Portugal. O Ayrton tinha recebido uma proposta da Williams e estava em dúvida se aceitaria, antes de 1994.

No dia 1° de maio de 1994, eu estava treinando com a Penske, em Miami. Recebi ordem para entrar nos boxes e pensei que fosse algum problema com o carro, ou algum ajuste para fazer. Quando saí do cockpit, a Teresa (ex-mulher de Emerson) me disse que o Ayrton havia morrido.

Os treinos foram interrompidos e eu voltei para casa. Não tinha mais condições de treinar. Depois, voltei para o Brasil, acompanhei o velório e fui até o cemitério onde o corpo foi enterrado.

Tinha combinado de participar do show em homenagem ao Ayrton (no dia 20 de março, o show Senna in Concert foi realizado no estádio do Pacaembu), mas não consegui por causa dos compromissos profissionais. Também nunca mais fui ao cemitério.

A maior marca do Ayrton foi esse patriotismo. Isso foi o que mais ficou marcado e certamente do que as pessoas mais se lembram.

Emerson Fittipaldi, 57 anos, foi bicampeão mundial de F-1 e hoje é empresário