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Guaraná, alpinismo, escorregões e canoa; saiba como Taiti conquistou BH

18 jun 2013
10h50
atualizado às 10h50
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Eles chegaram ao Brasil no último dia 7 desacreditados. Com status de amador e comparados até ao Íbis, considerado o pior time do mundo, o Taiti veio para disputar a Copa das Confederações ciente de suas limitações e em busca apenas de um único gol para coroar sua participação. Dez dias depois, o objetivo foi cumprido contra a Nigéria, no revés por 6 a 1. Mais do que isso: entre goles de guaraná, profissões além do futebol, escorregões em campo e um emocionante e lendário tento no Mineirão, eles conseguiram conquistar o Belo Horizonte.

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"Hoje, nós não vamos protestar (a segunda-feira foi marcada por protestos de milhares de pessaos pelas ruas do Brasil). Viemos aqui torcer para o Taiti, e é isso que vamos fazer", disse um membro de um grupo de seis amigos brasileiros pintados de vermelho e com as cores do país da Polinésia, presentes nas arquibancadas do Mineirão demonstrando apoio integral aos taitianos. Assim como outros 20.187 ocupantes das arquibancadas.

Desde o início do jogo, a torcida mineira adotou o Taiti como "time do coração". Gritos de "olé" quando ainda estava 0 a 0 e os taitianos tinham a posse de bola se seguiram durante todos os 90 minutos, mesmo com o massacre nigeriano em campo. "Taiti, Taiti, Taiti", "Ooooo, o Taiti chegoooou" e "A, e, i, o Taiti vem aí" foram outros cânticos ouvidos das arquibancadas que incendiaram e emocionaram o principal estádio de Belo Horizonte.

Mas qual o motivo de tamanha idolatria por um time que levou seis da Nigéria e promete levar ainda mais de Espanha e Uruguai? Muito se explica, também, à humildade dos taitianos em sua passagem por Minas Gerais. Simples, os homens vindos da Polinésia degustaram ao máximo de sua estadia em solo brasileiro: tiraram fotos, conheceram lugares e se apaixonaram... Por refrigerante de guaraná.

Jogadores do Taiti aplaudem a torcida no Mineirão. Maioria dos torcedores apoiaram a seleção campeã da Copa da Oceania
Jogadores do Taiti aplaudem a torcida no Mineirão. Maioria dos torcedores apoiaram a seleção campeã da Copa da Oceania
Foto: Bruno Santos / Terra

“No Taiti não tem o guaraná. Quando experimentamos aqui, ficamos loucos. Todos gostaram bastante da bebida e não paramos de tomar. Nosso treinador (Eddy Etaeta) pediu para a gente não ficar tomando toda hora, mas no hotel nós não paramos de beber guaraná”, afirmou Marama Vahirua, único profissional de futebol em uma delegação que conta com 22 amadores.

Eles são entregadores de comida, professores, motoristas de caminhão, funcionários de companhias telefônicas, trabalhadores do atendimento pessoal em companhias secundárias e até alpinista. Isso mesmo: alpinista. Essa é a profissão de Teheivarii Ludivion, zagueiro taitiano que também está no Brasil. "Meu zagueiro acorda às 4h30 todos os dias e escala montanhas", conta o técnico Eddy Etaeta, outro que se destacou pela simplicidade.

Em campo, aliás, o Taiti seguiu a linha de humildade e cativou o Mineirão. Durante o duelo contra a Nigéria, o time da Polinésia fez um primeiro tempo medonho, com escorregões, passes errados, tropeços na bola e chutes sem nenhuma direção. Mas sentiram o apoio popular e se entregaram em campo. "Lutaram como leões", admitiou o treinador Stephen Keshi, da Nigéria, após o duelo.

E a humildade e luta taitiana, mesmo com o abismo técnico com relação à Nigéria, foi o principal ponto que conquistou o Mineirão. Acabaram coroados com um histórico gol, aos 9min do segundo tempo, feito por Jonathan Tehau. A comemoração atabalhoada dos taitianos, que remaram como se estivessem em uma canoa polinésia, e a emoção do banco de reservas escancararam a dimensão do feito: foi o primeiro gol do país fora da Oceania em um torneio oficial. O Taiti agradece. Belo Horizonte também.

Fonte: Terra
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